- Uma equipa do Centro Nacional de Investigações Oncológicas (CNIO), liderada pelo oncologista Mariano Barbacid, desenvolveu uma terapia experimental que eliminou totalmente tumores de cancro do pâncreas em modelos animais, incluindo ratos com células tumorais humanas.
- A pesquisa, publicada na revista Proceedings of the National Academy of Sciences (PNAS) e apoiada pela Fundação CRIS Contra o Cancro, baseia-se numa combinação de três fármacos que atuam sobre alvos críticos: KRAS, EGFR e STAT3.
- Ao bloquearem estes três mecanismos em conjunto, os tumores desapareceram e os animais permaneceram livres da doença por mais de 200 dias após o tratamento, sem sinais de toxicidade relevante.
- O cancro do pâncreas é um dos mais agressivos, com taxa de sobrevivência a cinco anos inferior a cinco por cento; em Espanha surgem mais de dez mil novos casos por ano e, em Portugal, é o sexto na lista de mortes por cancro, com cerca de 1.770 óbitos por ano.
- Os próximos passos são ensaios clínicos em humanos, com necessidade de financiamento adicional e aprovação regulatória; a equipa sublinha que, embora promissora, ainda não é uma cura para pessoas.
O Centro Nacional de Investigações Oncológicas (CNIO) divulgou uma terapia experimental que eliminou completamente tumores de cancro do pâncreas em modelos animais, incluindo ratos com células tumorais humanas. A investigação é liderada pelo oncologista Mariano Barbacid.
Os resultados foram publicados na revista PNAS e apresentados pela Fundação CRIS Contra o Cancro, que apoia o estudo. A abordagem usa uma trípla combinação de fármacos que visam alvos críticos na progressão da doença.
A estratégia bloqueia três mecanismos ao mesmo tempo: o oncogene KRAS, presente na maioria dos tumores pancreáticos, e as proteínas EGFR e STAT3, ligadas à proliferação e à resistência aos tratamentos.
Desenvolvimento em modelos animais
Nos ensaios, os tumores desapareceram e os animais mantiveram-se sem sinal da doença durante mais de 200 dias após o fim do tratamento, sem toxicidade relevante reportada.
Este desfecho é considerado inédito em modelos experimentais do cancro do pâncreas, apontando para potenciais estratégias de terapias combinadas com base na violência dos alvos escolhidos.
O cancro do pâncreas é um dos tumores mais letais, com taxa de sobrevivência a cinco anos inferior a 10%. Em Espanha diagnosticam-se mais de 10 mil casos por ano, número que tem vindo a subir.
Contexto europeu e nacional
Em Portugal, o cancro do pâncreas figura entre as principais causas de morte por cancro, com cerca de 1.770 óbitos por ano. Prognósticos apontam para possível ascensão na sua posição até 2035.
Os investigadores destacam que, apesar do avanço, a cura em humanos ainda não está assegurada. O próximo passo envolve ensaios clínicos, com necessidade de financiamento e aprovação reguladora.
Próximos passos
Ensaios em humanos dependem de aprovação regulatória e de maior financiamento. Alguns fármacos já estão em fases avançadas, mas outros ainda não têm autorização para esta indicação.
Barbacid recorda que o avanço não substitui uma cura humana, mas demonstra que ataques múltiplos ao tumor podem alterar o prognóstico de um cancro com opções terapêuticas limitadas.
A Fundação CRIS Contra o Cancro reforça a importância da colaboração científica para acelerar a passagem desta investigação para a prática clínica.
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