- O debate sobre fertilidade em doentes com cancro não deve limitar-se às mulheres; em homens, a preservação também é crucial, já que quimioterapia e radioterapia podem comprometer a produção de espermatozoides.
- A preservação da fertilidade deve ser encarada como tema de saúde pública, com informação, encaminhamento e opções disponíveis antes de iniciar tratamentos no Serviço Nacional de Saúde (SNS).
- Entre as mulheres, o cancro da mama é o mais frequente, afetando cerca de uma em cada oito ao longo da vida, com diagnóstico frequente antes dos 45 anos, altura em que muitas ainda não têm filhos.
- Os tratamentos oncológicos podem reduzir a reserva ovariana nas mulheres e a produção de espermatozoides nos homens, o que pode limitar a parentalidade no futuro.
- Existem soluções como a criopreservação antes da quimioterapia ou radioterapia; no caso dos homens, a criopreservação de esperma é simples e eficaz, mas nem sempre é abordada de forma sistemática no diagnóstico.
O cancro levanta, cada vez mais, a questão da fertilidade após o tratamento. A discussão não deve limitar-se às mulheres; nos homens, a preservação da fertilidade é igualmente relevante, pois quimioterapia e radioterapia podem afetar a produção de espermatozoides.
À medida que a sobrevivência aumenta, cresce a necessidade de falar sobre o que acontece depois. Muitos pacientes ficam diante da possibilidade de não realizar um projeto de vida que inclua filhos, após vencerem a doença.
A preservação da fertilidade em Oncologia deve ser encarada como uma prioridade de saúde pública. Informar, encaminhar e oferecer opções antes de iniciar tratamentos deveria ser parte dos cuidados em idade reprodutiva, com circuitos claros no SNS.
Dados indicam urgência do tema: o cancro da mama, por exemplo, afeta cerca de uma em oito mulheres ao longo da vida, com diagnósticos frequentes antes dos 45. Outros tumores jovens exigem tratamentos agressivos.
O impacto nos hormônios reprodutivos é significativo: quimioterapia e radioterapia podem reduzir a reserva ovariana nas mulheres e a produção de espermatozoides nos homens, limitando a futura parentalidade.
A ciência oferece soluções que não comprometem a eficácia oncológica. A criopreservação antes de quimioterapia ou radioterapia é uma opção viável para mulheres e homens, com desafios distintos de acesso.
Nos homens, a preservação da fertilidade é menos discutida, apesar de a quimioterapia e a radioterapia poderem reduzir a produção de espermatozoides. A criopreservação de esperma é simples, eficaz e acessível, porém pouco integrada no diagnóstico.
Assinalar o Dia Mundial do Cancro pode ampliar o foco da discussão. Não basta tratar a doença; é preciso cuidar da vida que vem depois, assegurando acesso equitativo às técnicas no SNS e formação contínua dos profissionais de saúde.
Para proteger a fertilidade, é necessário integrar a relação entre sobrevivência e qualidade de vida nos protocolos oncológicos, promovendo informação atempada, políticas públicas e o direito à escolha informada.
Médica ginecologista
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