- Medicamento experimental brasileiro, baseado na proteína polilaminina, mostrou resultados promissores em animais; evidência em humanos ainda não foi publicada em revistas com revisão por pares.
- A polilaminina pode ser obtida a partir da placenta humana e visa estimular a regeneração de células nervosas da medula espinal após lesões, surgindo como alternativa potencial às terapias com células estaminais.
- Cerca de uma dezena de pacientes teriam recuperado movimentos após o uso da polilaminina, segundo relatos, incluindo casos envolvendo trauma de viação, queda e ferimento por arma de fogo.
- Ensaios clínicos ainda estão numa fase inicial; a Anvisa ainda não autorizou um estudo de fase um com cinco pacientes para testar a segurança, sendo as fases seguintes as que avaliarão a eficácia.
- Do ponto de vista científico, a única evidência publicada é um estudo pré-clínico em ratos, divulgado na Neurobiology of Disease, que indicou melhorias motoras e regeneração neuronal, sem comprovação clínica em humanos.
A polilaminina, proteína estudada no Brasil, desperta interesse na recuperação de lesões da medula espinal. O tratamento tem resultados promissores em testes com animais e relatos preliminares em humanos, mas ainda carece de validação científica publicada e revisada por pares.
O grupo de pesquisa dedicado à polilaminina é liderado por investigadores da UFRJ, em parceria com o laboratório Cristália. Segundo informações divulgadas, a substância pode estimular a regeneração de células nervosas da medula e facilitar a reestablishing da comunicação entre cérebro e corpo após traumas.
Relatos de imprensa indicam que cerca de dez pacientes teriam recuperado movimentos após uso da proteína. Entre os casos citados estão adultos com trauma por acidente de trânsito, quedas e ferimentos por arma de fogo. Contudo, os dados não foram publicados em revistas científicas internacionais nem avaliados por pares.
A equipa científica afirma que a polilaminina pode oferecer uma alternativa mais acessível e segura do que terapias com células estaminais. A pesquisadora Tatiana Coelho Sampaio destaca esse potencial, sem apresentar conclusões sobre eficácia clínica generalizada.
O Cristália aguarda autorização da Anvisa para iniciar um ensaio clínico de fase 1. O estudo envolverá cinco pacientes para avaliar a segurança do tratamento, sem ainda confirmar eficácia. A colaboração prevista inclui o Hospital das Clínicas da USP e a AACD.
Do ponto de vista científico, a principal evidência pública até agora provém de um estudo pré-clínico em ratos, publicado numa revista especializada. Nesse trabalho, animais com lesão completa mostraram melhoria na locomoção após tratamento com polilaminina, sugerindo regeneração neuronal.
Entretanto, especialistas alertam que resultados em modelos animais não garantem benefícios em pessoas. A continuidade da investigação requer dados publicados, com metodologia clara, critérios de inclusão, grupos de controlo e análise estatística transparente.
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