- Os proprietários do bar Le Constellation, em Crans-Montana, na Suíça, são acusados de homicídio, lesões e incêndio criminoso por negligência após o incêndio que já fez dezenas de mortos e feridos na noite da passagem de ano.
- Cyane Panine, de 24 anos, empregada que aparece nos vídeos com capacete a segurar duas garrafas de champanhe com fogo-de-artifício, morreu no incidente.
- Os donos negam responsabilidade direta e afirmam que não houve formação de segurança para os empregados; dizem que a funcionária gostava de realizar aquele espetáculo.
- Questionado sobre a porta de emergência, Jacques Moretti afirmou que um funcionário a teria trancado; a funcionária citada não recebeu instruções sobre a localização dos extintores.
- Jessica Moretti confirmou as declarações do marido, acrescentando que não fugiu com a caixa registadora e que o bar tinha sido gerido ao longo de dez anos sem imaginar nenhum risco grave.
Os proprietários do bar Le Constellation, em Crans-Montana, Suíça, responsabilizam Cyane Panine pelo incêndio que ocorreu na noite de passagem de ano. O fogo afetou o estabelecimento e causou 40 mortos, entre eles menores, e centenas de feridos.
Jacques e Jessica Moretti foram ouvidos em tribunal na semana passada, no âmbito das investigações. São acusados de homicídio, lesões corporais e incêndio criminoso por negligência, segundo o jornal Le Parisien.
A defesa dos proprietários aponta para a jovem Panine, que aparecia nas imagens com capacete e a segurar duas garrafas de champanhe com fogos de artifício. O material inflamável acendeu a espuma de isolamento no teto do bar, conforme os vídeos partilhados nas redes.
Responsabilidade e falhas detectadas
Questionado sobre o risco associado ao uso daquele material, Jacques Moretti indicou que não proibiu a prática nem deu instruções de segurança, alegando que a funcionária gostava de apresentar-se publicamente. A esposa confirmou a versão, acrescentando que, caso tivesse havido risco, teria agido para impedir.
O tribunal ouviu também a funcionária que trabalhava no Le Constellation desde semanas antes da tragédia. Ela afirmou não ter recebido formação de segurança contra incêndios, apenas instruções gerais sobre procedimentos em caso de emergência.
A porta de emergência foi tema de debate durante o depoimento. Jacques Moretti afirmou que alegadamente um funcionário a terá fechado, impedindo a fuga de alguns clientes, incluindo a própria Panine.
Segurança, formação e controlo
Os proprietários defenderam que, na altura da inspeção, a espuma utilizada no teto não foi identificada como inflamável pela empresa responsável pela sua aplicação, e que os bombeiros não recomendaram reparos. Porém, não há confirmação de formação formal aos empregados em procedimentos de incêndio.
Jessica Moretti negou ter retirado dinheiro da caixa registadora durante o início do incêndio e reconheceu que vários menores estavam no interior do bar. Questionou ainda se poderiam ter entrado pessoas com documentação falsa ou sem controlo de segurança adequado.
Ao final da audiência, Jacques e Jessica reiteraram que também são vítimas da tragédia, afirmando compreensão pelas famílias das vítimas. Mantêm, no entanto, a defesa de que o incidente decorreu de fatores imprevisíveis envolvendo funcionários.
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