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À medida que os realizadores se definham, os filmes de João Canijo sobem pela exigência e pelo trabalho constante, deixando obras que ficam para sempre

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  • João Canijo, cineasta do Porto, destacou-se pela exigência, pela intransigência e pelo trabalho contínuo que elevou a qualidade dos seus filmes, que ficam para sempre.
  • A ligação com o cinema vem de cedo: ao longo da carreira, trabalhou com pessoas da região e teve Manoel de Oliveira como referência importante.
  • Em Sarapatos Pretos, na antestreia, um comentário sublinhou que os filmes dele eram um pouco diferentes, refletindo o tom único que desenvolveu.
  • A prática de Canijo incluiu generosidade e partilha de saber, especialmente na última década, quando também atuou como professor de cinema.
  • Entre as obras destacadas está Mal Viver, filmada com participação de familiares e que recebeu reconhecimento internacional em Berlim (Urso).
  • Ao iniciar colaborações mais próximas, organizaram-se os princípios de produção: tempo suficiente, equipa reduzida e orçamento disponível para cumprir o projeto.

Numa idade em que muitos realizadores definham, os filmes de João Canijo sobem de linha e ficam para sempre. O seu percurso recente revela uma evolução constante e um foco claro no que interessa: a obra que perdura.

Lembrando Manoel de Oliveira, referência do cineasta desde os seus 22 anos, Canijo manteve a ligação estreita ao Porto. Na antestreia de Sapatos Pretos, alguém próximo comentou que os seus filmes eram diferentes, mas o diálogo manteve-se rico e desafiante.

Exigência e intransigência são palavras que o definem. São também sinónimos de uma ética de trabalho incansável, que privilegia a repetição, a dedicação e o aperfeiçoamento constante, sem ilusões sobre o meio ou o país.

A generosidade acompanhou sempre o rigor, especialmente na última década, quando passou a ser uma referência para novas gerações. Em Mal Viver, destacou-se pela rodagem com equipa jovem e pela presença do filho Manuel, marcando competição em Berlim com o Urso.

Quando começou a trabalhar com mais proximidade, Canijo escreveu num papel orientador: tempo suficiente, equipa pequena, dinheiro disponível, e depois, a responsabilidade para o resto. Assim, conduziu uma sequência de filmes notáveis.

Legado

Os filmes de Canijo destacam-se pelo desafio contínuo que lançou a si próprio, com escolhas difíceis e resultados reconhecidos. O realizador manteve a prática de partilhar o que aprendeu, especialmente com os novos talentos.

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