- O cineasta português João Canijo, de 68 anos, morreu na quinta-feira vítima de um ataque cardíaco fulminante.
- O corpo foi encontrado à tarde de quinta-feira na sua residência em Vila Viçosa, pela empregada de limpeza, segundo produtoras que com ele trabalharam.
- Canijo destacou-se internacionalmente ao receber o Urso de Prata no Festival de Berlim, em 2023, pelo filme Mal Viver.
- Natural do Porto, abriu caminho no cinema português nas décadas de oitenta, com obras que exploram famílias e relações de poder, como Sapatos Pretos e Sangue do Meu Sangue.
- Deixa dois filmes em pós-produção, Encenação e As Ucranianas, e uma filmografia que marcou o cinema nacional pelos retratos cruéis das dinâmicas familiares.
João Canijo, cineasta português de 68 anos, morreu na quinta-feira vítima de um ataque cardíaco fulminante. O realizador distinguido com o Urso de Prata no Festival de Berlim, em 2023, pelo filme Mal Viver, faleceu na sua residência em Vila Viçosa.
O corpo foi encontrado na parte da tarde de quinta-feira pela empregada de limpeza, segundo confirmações de produtoras com quem trabalhou ao longo da carreira. A Midas Filmes, parceira habitual, confirmou o óbito.
Nascido no Porto, Canijo iniciou a carreira na década de 1980, com atuação como assistente de realização, colaborando com Manoel de Oliveira, Paulo Rocha e Wim Wenders. Debutou como realizador em 1990 com Filha da Mãe.
Um cinema de famílias e feridas abertas
A obra de Canijo consolidou-se pelo olhar sobre a sociedade portuguesa a partir do interior de famílias, explorando conflitos, tensões emocionais e relações de poder. Figuras femininas intensas marcaram o seu cinema.
Entre os títulos mais reconhecidos estão Sapatos Pretos (1997) e Sangue do Meu Sangue (2011). Em 2023, Mal Viver recebeu o Urso de Prata no Festival de Berlim, elevando o seu perfil internacional.
Os dois filmes citados integraram candidaturas de Portugal aos Óscares e deram origem à série Hotel do Rio, exibida pela RTP em 2024, apresentada como a visão total do enredo. O elenco incluiu nomes como Anabela Moreira, Rita Blanco e Nuno Lopes.
Deixou ainda dois projetos em pós-produção: Encenação e As Ucranianas. A morte de Canijo representa uma perda relevante para o cinema português, mantendo uma obra que confrontou os territórios mais íntimos da experiência humana.
Entre na conversa da comunidade