- O Tribunal de Braga absolveu oito arguidos julgados por associação criminosa, sequestro e roubo, alegadamente praticados por vingança na residência de um casal em Barcelos, por ordem de uma empresária local e da filha.
- A acusação alegava que o grupo, recrutado entre cadastrados, planeou surpreender a família, com agressões, ameaças e furtos de dinheiro e ouro, na freguesia de Igreja Nova.
- A decisão destacou que a condenação não poderia basear‑se apenas em indícios ou suspeitas, exigindo prova plena em audiência de julgamento.
- O advogado das alegadas vítimas pretende recorrer para o Tribunal da Relação de Guimarães, enquanto a defesa de um arguido envolvido na organização do sequestro afirmou‑se satisfeita com a decisão.
- Segundo a acusação, em fevereiro vários arguidos invadiram a casa, agrediram as vítimas, manietaram-nas e furtaram cerca de 59 mil euros em dinheiro e ouro.
O Tribunal de Braga absolveu oito arguidos de crimes de associação criminosa, sequestro e roubo, no caso de um ataque à residência de um casal em Barcelos. A acusação apontava que as ações seriam motivadas por vingança, ordenadas por uma empresária local e pela filha.
Os juízes entenderam que não é possível condenar com base apenas em suspeitas ou prova indireta. A decisão sustenta que a prova em julgamento tinha de ser plena para sustentar a autoria dos factos imputados aos arguidos.
O escritório de um advogado das alegadas vítimas confirmou que pode recorrer para o Tribunal da Relação de Guimarães, mantendo a posição de que a família ficou angustiada com a absolvição. Por outro lado, a defesa de um arguido envolvido na organização do sequestro expressou satisfação com a sentença.
O que dizia a acusação
Segundo a acusação, Ana Maria Barbosa, 54 anos, empresária de Barcelos, estaria envolvida numa disputa com Paula Fernanda Cunha, também residente em Barcelos, relacionada com atividade têxtil e contrafação. Em 2020, uma inspeção da ASAE teria apreendido artigos contrafeitos e 168 mil euros em dinheiro, levando a suspeitas de envolvimento de Cunha no caso.
A acusação sustenta que Ana Maria planeou o ataque a Paula Cunha e ao núcleo familiar, contando com a filha Ana Filipa Barbosa e com um funcionário próximo, João Pacheco. Teriam contactado Graciete Magalhães, conhecida da contrafação, que teria ligado Fábio Carvalho para integrar o esquema.
Envolvidos e ações
Fábio Carvalho recrutou Ricardo Oliveira, Fábio Borges e Flávio Silva, com antecedentes. A coautoria foi gravada em imagens, com o objetivo de surpreender Paula Cunha, o marido, a filha Andreia e o filho Rui Filipe, na casa da freguesia de Igreja Nova, em Barcelos.
Na madrugada de 23 de fevereiro, os arguidos invadiram a residência com máscaras, pés-de-caca e armas, separando-se pelos quartos. Durante o assalto, as vítimas foram agredidas, ameaçadas e imobilizadas. Foi alegadamente efetuado o roubo de dinheiro e de peças de ouro, no montante de 59 mil euros.
As investigações indicam ainda que houve violência física, incluindo agressões à cabeça, cardinais e tronco, bem como violência psicológica durante o crime. As peças de ouro e o dinheiro roubados compõem o principal ganho alegadamente resultante da atuação criminosa.
Entre na conversa da comunidade