- Análise do The Washington Post, com dados oficiais recolhidos entre 18 de outubro e 31 de dezembro, conclui que dezenas de milhões de habitantes de Nova Deli respiram ar poluído equivalente a fumar cerca de nove cigarros por dia, chegando a dezoito em dias mais ruins.
- O estudo analisou 75 dias de dados de 40 estações de monitorização, com medições hora a hora de partículas PM 2,5 e PM 10, associadas a problemas de saúde pulmonar e cardíaca.
- Em 14 de dezembro, a qualidade do ar atingiu níveis tão altos que equivalia a fumar quase 18 cigarros por dia; em Wazirpur, área industrial, a média diária foi de 12 cigarros.
- A crise persiste apesar de medidas históricas, como o fecho de fábricas com emissões elevadas em 1996, criação de uma rede de monitorização em 2015 e tentativas como o programa nacional de ar limpo de 2019 que não melhoraram significativamente a situação.
- Cientistas e ativistas alertam para impactos na saúde e na esperança de vida (em média, oito anos), com protestos públicos a exigir maior transparência dos dados e ações efetivas a longo prazo.
O The Washington Post analisou dados governamentais de 75 dias, entre 18 de outubro e 31 de dezembro, em 40 estações de monitorização em Delhi. De acordo com a investigação, dezenas de milhões de habitantes respiram ar com poluição equivalente a fumar nove cigarros por dia, em média.
A avaliação baseia-se em PM2,5 e PM10, partículas associadas a riscos pulmonares e cardíacos. O objetivo foi quantificar a toxicidade do ar e o impacto na saúde, validando os cálculos com investigadores da Universidade de Chicago e do CREA.
Ainda segundo o relatório, em dias particularmente ruins, os níveis equivalem a fumar quase 18 cigarros diários. Em bairros industriais como Wazirpur, a exposição média chega a 12 cigarros, segundo as leituras analisadas.
Persistência histórica
A poluição em Delhi intensificou-se desde os anos 90 com a urbanização rápida e o aumento de veículos. O Supremo Tribunal ordenou, em 1996, ações para reduzir emissões, mas os problemas mantêm-se, com melhorias limitadas ao longo dos anos.
O programa nacional de ar limpo lançado em 2019 incluiu normas para centrais a carvão e apoio a veículos elétricos, porém os efeitos práticos continuam parcos. A cidade continua a enfrentar inversões térmicas que prendem poluentes no ar.
O ICQA e estudos independentes indicam que a vida útil média da população pode reduzir-se devido à exposição prolongada ao PM2,5. Exposição elevada está associada a riscos aumentados de doenças respiratórias e cardíacas.
Vozes da cidade e impacto humano
Organizações civis e grupos de pais mobilizam-se para exigir maior transparência e ações eficazes. Profissionais de saúde destacam o aumento de casos cardíacos e de tosse entre crianças, com famílias de baixa renda particularmente vulneráveis.
A população expressa preocupação com a discrepância entre dados oficiais e leituras de monitorização pessoal. Especialistas lembram que leituras oficiais sobem apenas até 500 no IQA, o que pode subestimar riscos reais de saúde.
Olhar para o futuro
Análises apontam que as soluções exigem um compromisso maior de transporte público, redução de emissões industriais e investimento em monitorização constante. O debate político permanece, com críticas às políticas de gestão da poluição durante o inverno.
Quem vive em Delhi continua a enfrentar dias de ar tóxico, com cortinas de poluição que reduzem a qualidade de vida e colocam a saúde pública no centro das preocupações. A busca por soluções efetivas permanece em aberto.
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