- Seis funcionários do serviço distrital de planeamento e infraestruturas de Mecula, Niassa, foram detidos por desviar produtos destinados às vítimas das inundações.
- A detenção ocorreu após o desvio ter acontecido a 23 de janeiro; os investigadores cooperaram entre a Polícia da República de Moçambique (PRM), o Serviço de Informações e Segurança do Estado (SISE) e o Serviço Nacional de Investigação Criminal (Sernic).
- Os indiciados confessaram, alegando que um dos chefes da instituição os autorizou a levar os produtos para benefício próprio, o que configura crime porque os itens eram destinados a pessoas carenciadas.
- Entre os artigos desviados constavam farinha de milho, açúcar, óleo e manteiga, com diligências em curso para apurar outras pessoas envolvidas.
- Os dados do Instituto Nacional de Gestão e Redução do Risco de Desastres (INGD) mostram quase 105 mil pessoas em centros de abrigo e quase 700 mil afetadas pelas cheias em Moçambique, com dezenas de milhar de casas inundadas e 12 mortos.
A polícia moçambique deteve seis funcionários do serviço distrital de planeamento e infraestruturas de Mecula, na província de Niassa, por desviar bens destinados às vítimas das inundações. O apuro começou com o desvio de produtos alimentares no dia 23 de janeiro, que foram encontrados e apreendidos no dia seguinte.
As detenções surgiram após uma operação conjunta da Polícia da República de Moçambique (PRM), do Serviço de Informações e Segurança do Estado (SISE) e do Serviço Nacional de Investigação Criminal (Sernic). A investigação confirmou que os alimentos eram destinados a pessoas afetadas por calamidades naturais.
Os indiciados confessaram a prática, alegando que um chefe da instituição autorizou o desvio para benefício próprio. A polícia sublinha que os produtos eram destinados a vítimas, não a funcionários, tornando o episódio crime de apropriação de recursos.
Entre os itens desviados estão farinha de milho, açúcar, óleo e manteiga. São ainda em curso diligências para apurar se existiram outros envolvidos no crime. Autoridades apelam à responsabilidade de funcionários públicos para evitar desvios de bens destinados à população carenciada.
Contexto das cheias em Moçambique
Quase 105 mil pessoas permanecem em centros de abrigo devido às cheias. A situação afeta quase 700 mil cidadãos em 20 dias, segundo o INGD. Dados até às 16h00 de segunda-feira indicam 691.527 pessoas afetadas, 151.963 famílias, e 12 mortos.
O relatório do INGD registra 3.447 casas parcialmente destruídas e 771 totalmente destruídas, com 154.797 inundadas. Existem ainda 45 feridos, 4 desaparecidos e 105 centros de acomodação ativos, com mais de 103 mil pessoas hospedadas.
A época de chuvas, desde outubro, tem causado danos ao setor agrícola, com 287.013 hectares afetados. O número de agricultores impactados chega a 215.949 e já foram registradas perdas significativas de gado.
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