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Distância compromete acesso ao ensino superior

Distância penaliza o acesso ao ensino superior, afetando sobretudo cursos científico-humanísticos; em Medicina, fatores socioeconómicos dominam a mobilidade

Estudantes do Ensino Superior
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  • Um estudo da Fundação Belmiro de Azevedo (EDULOG) revela que a distância é um dos principais fatores que penalizam a mobilidade de alunos no acesso ao ensino superior em Portugal continental.
  • Os diplomas de cursos científico-humanísticos sofrem mais com essa distância, enquanto os diplomados em cursos profissionais tendem a escolher instituições próximas ou politécnicas.
  • No caso de Medicina, fatores socioeconómicos pesam mais, especialmente pela maior presença de ensino privado nos municípios de origem, o que atenua o impacto da distância.
  • A atratividade da Medicina, com elevados retornos e prestígio, leva a aceitar maiores deslocações, embora as desigualdades de acesso continuem a existir.
  • Entre 2014 e 2023, 15 municípios não tiveram alunos de Medicina, evidenciando lacunas na cobertura regional e possíveis desequilíbrios na fixação de médicos.

A distância penaliza o acesso ao ensino superior em Portugal, revela o relatório Desigualdades Regionais e Mobilidade de Estudantes no Acesso ao Ensino Superior, do EDULOG. O estudo analisa 724 mil diplomados do secundário e 210 mil fluxos município-IES, entre 2013/14 e 2022/23, em Portugal continental. A distância reduz significativamente a mobilidade, especialmente entre quem concluiu cursos científico-humanísticos, e favorece escolhas locais para cursos profissionais.

Os dados apontam que diplomados de cursos profissionais tendem a realizar percursos mais curtos e a optar por instituições politécnicas, de proximidade. Em Medicina, contudo, a distância e fatores institucionais perdem peso, surgindo a importância de variáveis socioeconómicas, em particular a maior presença de ensino privado nos municípios de origem. O efeito é mitigado pela atratividade da Medicina, com elevados retornos, que leva a deslocações maiores.

O EDULOG destaca que, mesmo para cursos de elevada atratividade, persistem barreiras de equidade. A concentração da oferta em centros urbanos cria padrões de mobilidade distintos e pode favorecer desequilíbrios territoriais na fixação de médicos em regiões periféricas. Reforçar políticas públicas que reduzam barreiras territoriais é visto como crucial, com apoio diferenciado à mobilidade e fortalecimento do ensino superior no interior.

Municípios sem Medicina

Entre 2014 e 2023, 15 municípios não tiveram alunos de Medicina. Aljezur, Pampilhosa da Serra, Alter do Chão, Ferreira do Alentejo, Penamacor, Constância, Golegã, Ourique, Meda, Mação, Ferreira do Zêzere, Carrazeda de Ansiães, Redondo, Chamusca e Aljustrel não registaram participação neste curso.

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