- Jonathan Anderson estreou na alta-costura da Dior, e John Galliano marcou presença pela primeira vez desde a sua demissão há quase quinze anos.
- Galliano foi demitido na sequência de comentários racistas, e não tinha participado num desfile da marca até agora.
- No Rodin, Paris, Galliano assistiu à apresentação da coleção primavera/verão 2026, cuja visão celebra a continuidade criativa com peças assinadas por Anderson.
- A coleção incluiu releituras da silhueta Miss Dior de quareenta e nove e da Bar Jacket, com inspiração nas cerâmicas de Magdalene Odundo e uso de técnicas manuais em seda, tweed e tricô.
- A artista evidencia artesanato e experimentação: acessórios com tecido reciclado do século XVIII e pulseiras com fragmentos de meteoritos; o desfile reforçou a posição de Anderson na Dior junto de apoios de Galliano, da família Arnault e de estrelas como Rihanna.
A estreia de Jonathan Anderson na alta-costura da Dior ficou marcada pela presença de John Galliano, na qualidade de figura de destaque. O designer demitido há quase 15 anos por comentários racistas reassumiu o papel de presença simbólica no desfile, no Museu Rodin, em Paris. O evento ocorreu durante a Semana de Alta-Costura de Paris, para apresentar a coleção Primavera/Verão 2026.
Os chamados ciclâmenes que Galliano ofereceu a Anderson durante uma visita ao atelier serviram de tema visual para o evento, aparecendo em brincos gigantes e no teto do espaço. A Dior descreveu os símbolos como elementos que refletem continuidade criativa entre passado e futuro.
Na Haute Couture, Anderson mantém a tradição da casa ao reinventar o Miss Dior de 1949 e ao apresentar uma silhueta Bar Jacket em um sobretudo de pele. A coleção privilegia uma leitura contemporânea da história da Dior, mantendo o equilíbrio entre herança e inovação.
As criações combinam artesanato com design moderno. Flores recortadas em seda formam bordados densos, enquanto fios tecidos à mão aparecem em tweeds e em tricô, reforçando a visão artesanal da linha. Toques de sustentabilidade aparecem com tecido reciclado XVIII em carteiras de mão.
No sentido estético, a direção criativa de Anderson recorre a referências de Magdalene Odundo, ceramista queniana, cujas peças inspiram silhuetas escultóricas. O uso de materiais e processos manuais reforça a leitura de alta-costura como arte técnica.
A plateia incluiu figuras próximas de Galliano, a família Arnault e personalidades públicas, como Rihanna e Lauren Sánchez Bezos. Quase um ano após assumir a Dior, Anderson consolidou a sua posição entre os nomes-chave da moda contemporânea, com apoio de parte da indústria e do universo do espetáculo.
Entre na conversa da comunidade