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Universidade e máquina: o impacto da IA no saber e nas máscaras

A qualidade do ensino superior degrada com deficiências pedagógicas e falta de tempo para pensamento crítico; UNESCO recomenda formação em IA e meta-habilidades

A verdadeira questão não está em proibir ou não proibir a IA nas escolas e faculdades
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  • O texto discute que o verdadeiro desafio no ensino superior não é apenas proibir IA, mas a qualidade do ensino e a forma como o conhecimento se constrói dentro das instituições.
  • Aponta para um défice pedagógico entre docentes, com exemplos de aulas baseadas em vídeos do YouTube e memorização, destacando a necessidade de tempo para preparar aulas que promovam pensamento crítico, questionamento e investigação.
  • Critica a capitulação intelectual frente a sistemas que valorizam obediência e conformismo, defendendo a autonomia de pensamento como essencial ao ensino superior.
  • Cita um relatório da UNESCO que afirma a necessidade de formar estudantes em competências específicas de IA e em meta-habilidades como criatividade, pensamento crítico, comunicação, trabalho em equipa, resolução de problemas e liderança.
  • Conclui que o pensamento complexo é um ato radical necessário para manter os objetivos educativos, defendendo que isso se faz de dentro para fora, com tempo dedicado à aprendizagem profunda e sem depender apenas de proibições.

A questão não reside apenas na proibição da IA no Ensino Superior, mas na qualidade do ensino. O debate aponta para a necessidade de construir conhecimento de dentro para fora, com metodologias ativas.

Ao longo dos últimos anos surge um alerta sobre défices pedagógicos entre docentes, que vão desde o planeamento de aulas até à preparação de conteúdo. O foco está na qualidade educativa.

Experiências recentes de formação universitária mostraram aulas em que o recurso principal era o vídeo ou o ensino baseado no trabalho de grupo, sem real acompanhamento docente. A memorização permanece presente nalgumas áreas.

A UNESCO destacou, num relatório recente, que as IES devem acompanhar a IA oferecendo formação em competências técnicas e metahabilidades como pensamento crítico, criatividade, comunicação e colaboração.

Segundo o relatório, as instituições devem formar estudantes em IA e também desenvolver capacidades sociais, emocionais e cognitivas superiores para enfrentar a transformação tecnológica no ensino superior.

Observa-se ainda que o excesso de informação e a hiperconectividade podem aumentar ruído e ansiedade. Mantém-se a necessidade de tempo para pensamento crítico, leitura aprofundada e reflexão autónoma.

Para além de limitar ou proibir, o desafio é responder a duas perguntas centrais: o que os alunos precisam saber agora e o que e como ensinar, adaptando-se a contextos diversos.

Perspetivas e recomendações

A UNESCO sugere fortalecer a formação específica em IA nas IES e promover habilidades transversais que potenciem o conhecimento e a aplicação prática.

Importa, assim, investir em metodologias que permitam questionar, investigar e relacionar o que já se sabe com o novo conhecimento, sem sacrificar o ritmo de aprendizagem.

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