- O aumento de carros elétricos coloca a dúvida sobre se as redes elétricas conseguem responder ao aumento da procura.
- O relatório Grid Integration of Electric Vehicles, da Agência Internacional de Energia, alerta que a eletrificação do transporte vai afectar o sistema de energia e que, sem planeamento, podem surgir problemas com o aumento simultâneo de procura e capacidade da rede.
- Investigações indicam que o maior carregamento de viaturas elétricas pode intensificar picos de carga e provocar quedas de tensão e perdas, sobretudo em redes de baixa tensão quando não há coordenação.
- Em estudos em Lisboa e noutras universidades, conclui-se que sem coordenação de carregamento e expansão de infraestrutura podem ocorrer sobrecargas e perdas, afetando a operação da rede.
- Mesmo sem consequências automáticas, o relatório recomenda políticas, planeamento proativo e uso de carregamento inteligente (smart charging) e de Vehicle-to-Grid para reduzir a pressão e tornar os EVs um recurso flexível para a rede.
As inquietações sobre a rede eléctrica aumentam à medida que os carros elétricos crescem nas estradas. A ideia de que o carregamento possa sobrecarregar o sistema é frequente, mas a realidade é mais complexa e depende de planeamento.
Relatórios internacionais indicam que a electrificação do transporte pode exigir ajustes na potência e na distribuição. O relatório Grid Integration of Electric Vehicles, da Agência Internacional de Energia (AIE), alerta para impactos caso não haja preparação adequada.
A pesquisa aponta que picos de carga podem aumentar em redes de baixa tensão se muitos veículos forem carregados em simultâneo. Estudos da universidade de Houston mostram maior carga de pico nas redes residenciais durante o carregamento noturno.
Outra investigação, da Universidade Nova de Lisboa, conclui que a falta de coordenação de carregamento gera sobrecargas, picos e perdas significativas na rede de Lisboa. Os resultados reforçam a necessidade de gestão de demanda.
A AIE recomenda transformar os veículos elétricos em recursos flexíveis, com planeamento pró-ativo e tecnologias de resposta à procura. O objetivo é reduzir pressão na rede, não apenas consumir energia.
Em termos tecnológicos, o conceito de smart charging e de vehicle-to-grid (V2G) surge como solução. Um estudo recente identifica obstáculos regulatórios e de padronização para a implementação na Europa.
No caso de Portugal destacam-se dados locais: o estudo Impact of vehicle charging on Portugal’s national electricity load profile, de investigadores lisboetas, aponta picos em cenários de elevada penetração de VEs sem carregamento coordenado nos horários de ponta.
Os autores sublinham que, sem coordenação inteligente e expansão de infraestruturas, a procura pode ultrapassar a capacidade atual de produção e distribuição. A mensagem central é que a sobrecarga não é automática, depende de planeamento.
Em síntese, sem medidas adequadas, a mobilidade eléctrica pode pressionar redes locais. Contudo, com políticas, investimentos e gestão de carregamento, é possível acomodar mais veículos sem comprometer a fiabilidade do fornecimento.
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