- No campo de Al Hol, no nordeste da Síria, vivem cerca de quarenta mil pessoas, em maioria mulheres e crianças, capturadas do Estado Islâmico após a derrota dos combatentes no terreno.
- O campo é dividido em seis secções; a maior alberga iraquianos (áreas 1 a 3), depois sírios (áreas 4 e 5) e, na secção seis, estão mais de seis mil mulheres estrangeiras consideradas as mais perigosas.
- As condições são graves: não há sistema de esgotos, comida e água potáveis são limitadas e há desnutrição e doenças, com especial impacto nas crianças; há relatos de exploração e violência dentro do campo.
- Fugas recentes de Al Hol e de prisões próximas ocorreram durante confrontos entre forças sírias e curdas; números oficiais variam e não há verificação independente.
- A ONU anunciou que vai assumir a gestão de Al Hol, mas ainda não entrou no campo; as autoridades sírias e os EUA concordaram em transferir parte dos detidos para o Iraque, num esforço para conter o risco de novas fugas e radicalização.
O campo de Al Hol, no nordeste da Síria, está sob pressão humanitária e de segurança após uma fuga de dezenas de mulheres ligadas ao Estado Islâmico. As condições therevas são precárias: sem esgotos, com fornecimento de água e comida restrito, dependentes de ajuda externa, e com sinais de desnutrição entre as crianças.
No local habitam cerca de 40 mil pessoas, a maioria mulheres e crianças, provenientes de famílias de combatentes do EI que controlou a região até à derrota, em 2019, pela coligação liderada pelos curdos. Os homens ficaram detidos, enquanto campos como Al Hol acolhem famílias dos membros do grupo.
Al Hol está dividido em várias secções, com estratificação étnica e de segurança. As zonas 1 a 3 concentram iraquianos, as 4 e 5 sírios, e a zona 6 aloja mais de seis mil mulheres estrangeiras consideradas perigosas. Mantêm uma polícia informal que repressa potenciais traços extremistas.
Centenas de residentes fugiram durante combates entre forças curdas, SDF, e as forças do regime sírio, HTS. Vídeos de fuga mostram mulheres vestidas de preto a escapar sem controlo claro. Além disso, fugiram também prisioneiros de Shaddadi, Al Aqtan e Deir al-Zour, conforme relatos de fontes locais.
O governo sírio admite que cerca de 120 detidos ligados ao EI fugiram de Shaddadi; as estimativas curdas apontam para até 1.500 em fuga. Analistas ressaltam que não há verificação independente confiável dos números, e que as informações são conflituosas.
O contexto político regional é volátil: o HTS avançou militarmente após negociações que falharam, levando ao recuo de forças curdas de áreas-chave. A retirada de apoio militar norte-americano contribuiu para a pressão, abrindo espaço para o EI explorar falhas de segurança.
Analistas ressaltam o risco de que o EI se reponha como insurgência, especialmente se houver menos capacidade de vigilância e combate por parte de EUA, curdos e regime sírio. A propaganda de fugas pode também energizar simpatizantes globalmente.
A ONU anunciou a assunção provisória da gestão de Al Hol, ainda sem entrada de funcionários no terreno. O ACNUR confirma dificuldades de acesso e relata um campo tenso, com saques e incêndios em curso. As autoridades sírias e internacionais monitorizam a situação.
As autoridades iraquianas aceitaram absorver parte dos detidos ainda em custódia, numa tentativa de reduzir o contingente no campo. A cooperação entre Estados é apresentada como essencial para estabilizar a região e prevenir a propagação de ataques ligados ao EI.
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