- A Organização não governamental World Green Design Organization premiou a PróToiro pelo papel na defesa do toiro bravo e na preservação da biodiversidade ibérica, reconhecendo o setor taurino como parte de práticas de design verde.
- O prémio valoriza a criação de toiros bravos em regime extensivo, em vastas áreas de montado e dehesa, que ajudam a prevenir a degradação do solo e promovem o sequestro de carbono.
- A Galena, herdade de 918 hectares onde vive a ganadaria Murteira Grave, foi destacada pela sua paisagem marcada por toiros, montes e rios, descrita pelo veterinário Joaquim Grave.
- Paulo Pessoa de Carvalho, vice-presidente da PróToiro, afirmou que o património cultural pode impulsionar a conservação ambiental e que o toiro de lide passou a ser símbolo de proteção da natureza.
- Francisco Macedo, presidente da PróToiro, disse que a distinção resulta de uma estratégia de comunicação que traduz a tradição taurina para uma linguagem técnica e moderna, com benefícios para o ecossistema e a biodiversidade.
A Herdade da Galeana, com 918 hectares, alberga desde 1944 a ganadaria Murteira Grave. Situa-se entre Mourão e a fronteira espanhola, numa paisagem de montagem de azinho, solo xistoso e ripas de rio. O cenário é descrito como árido, mas com beleza marcante.
A criação de toiros bravos realiza-se em liberdade, em áreas extensivas que favorecem a biodiversidade. O sistema inclui pastagens naturais e uma gestão que evita contacto humano próximo, assegurando bem-estar animal e proteção ambiental.
Esta semana, a PróToiro recebeu reconhecimentos em Bruxelas, pela World Green Design Organization (WGDO). A organização premiou a atuação em defesa do toiro bravo e do equilíbrio entre produção pecuária e ecossistema ibérico.
O conceito defendido pela WGDO é o de práticas verdes (Nature-Based Solutions). Ao contrário da pecuária intensiva, o toiro bravo mantém-se em regime extensivo, contribuindo para o sequestro de carbono e para a preservação do montado e da Dehesa.
Para a PróToiro, o prémio valida uma estratégia de comunicação que liga tradição tauromáquica a critérios ambientais e científicos. O presidente Francisco Macedo destaca o papel de preservação da biodiversidade através desta atividade.
O vice-presidente Paulo Pessoa de Carvalho sublinha que o modelo evita o abandono de terras, protege a paisagem e apoia os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável. Em Bruxelas, ele recebeu o prémio em nome do setor.
A ganadaria de Galeana é apresentada como exemplo de manejo sustentável: as vacas-mãe e os bezerros vivem em liberdade, com vigilância distante e intervenções pontuais, garantindo décadas de uso racional da paisagem.
Segundo os responsáveis, sem este modelo não seriam mantidas vastas áreas de Montado e Dehesa, nem a presença de espécies que dependem deste habitat. O reconhecimento reforça a relação entre tauromaquia e conservação ambiental.
Os promotores destacam que o toiro bravo atua como guardião da biodiversidade, contribuindo para a saúde do solo, o sequestro de carbono e a resiliência climática das zonas rurais. O prémio reforça uma visão integrada de design ecológico.
*(n. a.: as declarações de Joaquim Grave, sobre o dia-a-dia da ganadaria, aparecem neste texto como referência da reportagem original)*
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