- As Forças Democráticas Sírias (FDS) acusam o exército sírio de crimes de guerra durante o recente conflito na zona, apresentando provas documentadas em menos de 17 dias da campanha contra a população civil.
- A denúncia cita execuções extrajudiciais, ataques a hospitais, detenções arbitrárias, mutilações e abusos contra mulheres combatentes; há alegação de participação de elementos do Estado Islâmico (EI) como aliados do Exército sírio.
- O cessar-fogo de quatro dias, que deveria terminar hoje à noite, pode ser prorrogado; o acordo permite que as autoridades de Damasco assumam controlo estratégico da região e reconheçam a identidade da comunidade autónoma dentro da Síria.
- O acordo prevê também que o Exército sírio passe a controlar centros de detenção de famílias de jihadistas do EI; as FDS dizem que ataques continuaram depois da entrada em vigor do cessar-fogo, incluindo na prisão de Al-Aqtan, em Raqa.
- As FDS foram a principal força na luta contra o EI, derrotado em 2019 com apoio internacional; o novo poder em Damasco é liderado pelo Presidente Ahmad al-Charaa.
As Forças Democráticas Sirias (FDS) acusaram o exército sírio de crimes de guerra durante o recente confronto na região nordeste da Síria. Farhad Shami, porta-voz das FDS, afirmou que existem provas documentadas de abusos cometidos pelo Exército sírio em menos de 17 dias de campanha contra civis.
A denúncia inclui alegações de execuções extrajudiciais, ataques a unidades hospitalares, detenções arbitrárias, mutilações e abuso de mulheres combatentes. Também é indicada a participação de elementos do grupo extremista EI (Daesh) como aliados do governo.
As FDS sustentam que as violações continuam mesmo após a entrada em vigor de um cessar-fogo de quatro dias, que fontes citadas pela AFP indicam estar prestes a ser prorrogado. O acordo prevê a transferência do controlo da região para Damasco, incluindo recursos estratégicos, e reconhece a autonomia das FDS dentro da Síria.
Contexto do cessar-fogo e do acordo
O acordo envolve a Dessência de centros de detenção de familiares de jihadistas do EI, sob gestão do governo sírio, que passa a controlar esses centros. As FDS acusam o Exército sírio de manter ataques contra prisões como a de Al-Aqtan, em Raqa, e de hostilizar civis com táticas de terror.
O Exército sírio, por sua vez, atribuiu às FDS a continuidade de ataques e mortes de civis. Em episódios reportados, houve emboscadas no leste de Alepo e ações que o governo sírio descreve como ataques contra forças próprias sob suposta retaliação.
As FDS foram a principal força na luta contra o EI, derrotado em 2019 com apoio de coalizão liderada pelos EUA, que hoje apoia as novas autoridades de Damasco. O governo sírio é liderado por Ahmad al-Charaa, que comanda as forças que derrubaram o regime de Bashar al-Assad em 2024.
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