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Autarca de Mora defende rótulo talha de barro para vinho de Cabeção

Autarca de Mora defende rotulagem de vinho de talha como «vinho produzido em talha de barro» para valorizar tradição e economia local, sem ainda autorização da CVR

Autarca de Mora quer que vinho de talha de Cabeção possa ser identificado no rótulo como “talha de barro”
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  • O presidente da Câmara Municipal de Mora, Luís Simão, defende que o vinho feito em talha possa ter nos rótulos a expressão “vinho produzido em talha de barro” para valorizar a tradição de Cabeção.
  • A mudança depende de autorização da Comissão Vitivinícola Regional (CVR), que, segundo o autarca, ainda não tem permitido essa rotulagem.
  • O vinho de talha ganha importância económica no concelho, com produtores que já vivem da atividade e precisam de escoar o produto a preços justos.
  • Em Cabeção existem entre 30 e 40 produtores, sendo que nem todos o fazem como rendimento principal; a vinificação em talha de barro tem características próprias, como o contacto direto com a película e grainha durante a fermentação.
  • A XXIX Prova do Vinho Novo de Talha de Cabeção premiou vinhos branco e tinto no concurso, com o programa a seguir incluem a Rota das Adegas e provas com produtores locais.

A Câmara Municipal de Mora aproxima-se da possível identificação do vinho de talha de Cabeção no rótulo como “vinho produzido em talha de barro”. O debate ganhou impulso na cidade durante a XXIX Prova do Vinho Novo de Talha, realizada em Cabeção entre 23 e 25 de janeiro. O objetivo é valorizar uma tradição com raízes no concelho.

O presidente da autarquia, Luís Simão, sublinhou a importância de reconhecer oficialmente este modo de produção, que distingue o produto pela talha de barro. O incentivo visa facilitar a autorização de rotulagem por parte da Comissão Vitivinícola Regional (CVR).

Os argumentos são apoiados pela vontade de preservar a prática histórica que envolve a produção e a fermentação do vinho em talha, com contacto direto entre a película, grainha e o líquido durante o processo. A ideia é reforçar o valor económico para os produtores locais.

Rotulagem como fator decisivo

Luís Simão explicou que a rotulagem pode atuar como fator decisivo para valorizar o vinho de talha, tornando claro aos consumidores o método tradicional utilizado em Cabeção. O município está disponível para apoiar os produtores no processo de autorização.

A autarquia pretende acompanhar os produtores onde for necessário, afirmando que a tradição não deve ser perdida. O objetivo é traduzir a singularidade do vinho em benefícios económicos para quem produz.

Situação dos produtores locais

O autarca destacou o peso económico crescente do vinho de talha no concelho, com alguns produtores já dependentes da atividade. A ideia é assegurar condições para escoar o produto a preços justos, mantendo a sustentabilidade financeira.

Há atualmente entre 30 e 40 produtores em Cabeção; porém, nem todos trabalham com o objetivo de servir de rendimento principal. A maioria fabrica para consumo próprio, mas há interesse em potenciar a produção com fins económicos.

Características da produção

O processo tradicional mantém traços únicos, nomeadamente o cozimento do vinho com curtimento. Durante a fermentação, o líquido contacta a película e a grainha da uva na talha de barro, elemento que confere a identidade ao produto.

Os responsáveis pela organização asseguram que o método continua a evoluir, sem perder a essência histórica. A ideia é equilibrar inovação com a manutenção da tradição.

Concurso e evolução da qualidade

O evento tem, ao longo de quase três décadas, contribuído para uma melhoria na qualidade do vinho de talha da região. Existe uma percepção de evolução, com a entrada de uma nova geração de produtores.

Os elementos do júri já destacaram vinhos locais de excelência, reforçando a relevância do concurso para projectar o vinho de talha de Cabeção. A presença de novas práticas não impediu a continuidade da tradição.

Programa do evento

A XXIX Prova do Vinho Novo de Talha de Cabeção iniciou-se com o 4.º Concurso de Vinho Novo de Talha, premiando vinhos branco e tinto na sessão de abertura. O programa prossegue com a Rota das Adegas e provas públicas.

A edição prevê atividades ao longo do sábado, com abertura do pavilhão gimnodesportivo para provas, e encerra no domingo com novas provas e o beberete de encerramento.

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