- Terminou na noite de sexta-feira a primeira ronda de negociações diretas em Abu Dhabi entre Rússia, Ucrânia e Estados Unidos, com novas conversas agendadas para sábado.
- O objetivo foi discutir os parâmetros para pôr fim à guerra e os próximos passos do processo negocial, segundo o negociador ucraniano Rustem Umerov.
- Um dos pontos de discórdia é o destino dos territórios no leste da Ucrânia; a Rússia exige a retirada de Kiev de cerca de trinta por cento da região de Donetsk que ainda controla.
- O presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, afirmou ser demasiado cedo para avaliar a preparação da Rússia para a paz e destacou a importância de verificar essa prontidão antes de tirar conclusões.
- Recorda-se que negociações anteriores entre Rússia e Ucrânia, em 2022 e em 2025 em Istambul, resultaram apenas na troca de prisioneiros e de restos mortais; a Rússia mantém exigências sobre Donbass e não adesão da Ucrânia à NATO.
Na sexta-feira, Moscovo e Kiev realizaram as primeiras negociações diretas sobre o plano dos EUA para terminar com quatro anos de conflito, em Abu Dhabi. O encontro envolveu representantes russos, ucranianos e norte-americanos, cuja identidade não foi detalhada pelo momento. O objetivo declarado foi discutir os parâmetros para o fim da guerra e os próximos passos do processo negocial, com a posse de uma paz digna e duradoura em foco.
O negociador-chefe ucraniano, Rustem Umerov, indicou pela rede social X que as conversações se centram na retirada de bases de conflito e na definição de passos práticos para avançar a negociação. As partes mencionaram novas reuniões previstas para o dia seguinte, sinalizando a continuidade do diálogo.
Estas negociações representam a primeira ronda direta entre Moscovo e Kiev sobre o plano apresentado pelos Estados Unidos para resolver o conflito que já dura há quatro anos. A posição de Kiev mantém exigências sobre o Donbass, região oriental sob controlo parcial ucraniano, enquanto a Rússia pretende a retirada das tropas ucranianas de cerca de 30% do território da região de Donetsk e o compromisso de não adesão à NATO.
Contexto internacional e agenda
Zelensky, o Presidente ucraniano, afirmou que ainda é cedo para avaliar o progresso, sublinhando a necessidade de verificar a prontidão de Moscovo para a paz. Em discurso nocturno, reconheceu a importância da reunião trilateral, mas mostrou cautela quanto aos resultados práticos que poderão advir.
Nos últimos meses, a Ucrânia tem enfrentado ataques intensificados à rede energética, com cortes generalizados que afetam especialmente Kiev, numa fase de temperaturas muito baixas. A escalada do confronto tem alimentado instabilidade regional e pressões diplomáticas para uma resolução negociada do conflito.
Enquanto isso, o cenário diplomático viu encontros de alto nível em Davos entre Zelensky e o presidente norte-americano, e em Moscovo entre Putin e enviados dos EUA, que incluem figuras como Witkoff e Kushner. Historicamente, negociações anteriores entre Rússia e Ucrânia, nomeadamente em Istambul, resultaram principalmente na troca de prisioneiros e restos mortais, sem resolução sustentável até ao momento.
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