- Um grupo liderado por um romeno, Vasile, foi condenado por tráfico de imigrantes e exploração de trabalhadores agrícolas no Alentejo, com penas entre três e nove anos e meio de prisão.
- Pessoas sem documentos foram angariadas em países como Roménia, Moldávia, Colômbia, Marrocos e Peru, prometendo salários até 1.500 euros e alojamento, mas acabavam obrigadas a trabalhar sem receber o pagamento devido.
- Os trabalhadores viviam em casas degradadas, sem água ou instalações adequadas, assinavam contratos em português que não compreendiam e tinham os seus documentos retidos.
- Havia ameaças, agressões e condições de trabalho precárias: turnos longos, falta de água, alimentação insuficiente, falta de equipamento de proteção e acidentes sem assistência médica.
- A rede operava desde 2019 até 2023, faturando mais de nove milhões de euros, com a Operação Espelho da Polícia Judiciária a desmantelar o esquema em 2023.
Duas sessões de trabalho extenuantes em campos alentejanos expuseram uma rede de exploração de imigrantes. Trabalhadores vindos de Roménia, Moldávia, Colômbia, Marrocos e Peru eram recrutados online com promessas de salários até 1.500 euros e alojamento, mas chegavam a casas degradadas e eram forçados a trabalhar quase sempre sem descanso.
O grupo, liderado por Vasile, operava desde 2019 até 2023, aliciando mão de obra através de anúncios em plataformas. O romeno de 37 anos coordenava as explorações, negociava com empresários agrícolas e geria a rede de colaboradores, com apoio da família.
Condições de alojamento e contratos marcavam a vida dos imigrantes. Contratos apenas em português, dívidas obrigatórias, salários baixos e ameaças de punição por dívidas ou faltas. Várias queixas relatam agressões, humilhações e não pagamento de salários.
Ameaças, agressões físicas e condições sanitárias precárias foram descritas por várias vítimas. Colaboradores vigiavam, proibiam saídas e impediam acesso a água e casas de banho. Acidentes de trabalho também ocorreram, sem assistência adequada.
Em 2023, a PJ desmantelou a rede na chamada Operação Espelho, com 480 operacionais e 78 mandados. Sete pessoas foram condenadas a prisão efetiva; três ficaram absolvidas. Vasile recebeu a pena mais alta, nove anos e seis meses, por múltiplos crimes.
Os trabalhadores eram transportados em veículos sobrelotados e ficavam pouco tempo em alojamentos, sem condições básicas. Em Beja, o tribunal ouviu relatos de exigências de pagamento de dívidas e de abusos constantes, incluindo uso de armas por parte de alguns intervenientes.
Este caso evidencia exploração de mão de obra irregular, com envolvimento familiar e estruturas empresariais para facilitar pagamentos inferiores às horas trabalhadas. O elenco de arguidos inclui vários elementos da rede, com sociedades de fachada para faturação.
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