Em Alta futeboldesportoPortugalinternacionaispessoas

Converse com o Telinha

Telinha
Oi! Posso responder perguntas apenas com base nesta matéria. O que você quer saber?

Família explorou imigrantes durante anos, revela investigação

Tribunal de Beja condena rede de tráfico de imigrantes no Alentejo a prisões entre três e nove anos e meio, liderada por Vasile, por exploração e branqueamento

▲ Os imigrantes trabalhavam na apanha de azeitonas, milho e fruta sem poder fazer pausas
0:00
Carregando...
0:00
  • Um grupo liderado por um romeno, Vasile, foi condenado por tráfico de imigrantes e exploração de trabalhadores agrícolas no Alentejo, com penas entre três e nove anos e meio de prisão.
  • Pessoas sem documentos foram angariadas em países como Roménia, Moldávia, Colômbia, Marrocos e Peru, prometendo salários até 1.500 euros e alojamento, mas acabavam obrigadas a trabalhar sem receber o pagamento devido.
  • Os trabalhadores viviam em casas degradadas, sem água ou instalações adequadas, assinavam contratos em português que não compreendiam e tinham os seus documentos retidos.
  • Havia ameaças, agressões e condições de trabalho precárias: turnos longos, falta de água, alimentação insuficiente, falta de equipamento de proteção e acidentes sem assistência médica.
  • A rede operava desde 2019 até 2023, faturando mais de nove milhões de euros, com a Operação Espelho da Polícia Judiciária a desmantelar o esquema em 2023.

Duas sessões de trabalho extenuantes em campos alentejanos expuseram uma rede de exploração de imigrantes. Trabalhadores vindos de Roménia, Moldávia, Colômbia, Marrocos e Peru eram recrutados online com promessas de salários até 1.500 euros e alojamento, mas chegavam a casas degradadas e eram forçados a trabalhar quase sempre sem descanso.

O grupo, liderado por Vasile, operava desde 2019 até 2023, aliciando mão de obra através de anúncios em plataformas. O romeno de 37 anos coordenava as explorações, negociava com empresários agrícolas e geria a rede de colaboradores, com apoio da família.

Condições de alojamento e contratos marcavam a vida dos imigrantes. Contratos apenas em português, dívidas obrigatórias, salários baixos e ameaças de punição por dívidas ou faltas. Várias queixas relatam agressões, humilhações e não pagamento de salários.

Ameaças, agressões físicas e condições sanitárias precárias foram descritas por várias vítimas. Colaboradores vigiavam, proibiam saídas e impediam acesso a água e casas de banho. Acidentes de trabalho também ocorreram, sem assistência adequada.

Em 2023, a PJ desmantelou a rede na chamada Operação Espelho, com 480 operacionais e 78 mandados. Sete pessoas foram condenadas a prisão efetiva; três ficaram absolvidas. Vasile recebeu a pena mais alta, nove anos e seis meses, por múltiplos crimes.

Os trabalhadores eram transportados em veículos sobrelotados e ficavam pouco tempo em alojamentos, sem condições básicas. Em Beja, o tribunal ouviu relatos de exigências de pagamento de dívidas e de abusos constantes, incluindo uso de armas por parte de alguns intervenientes.

Este caso evidencia exploração de mão de obra irregular, com envolvimento familiar e estruturas empresariais para facilitar pagamentos inferiores às horas trabalhadas. O elenco de arguidos inclui vários elementos da rede, com sociedades de fachada para faturação.

Comentários 0

Entre na conversa da comunidade

Os comentários não representam a opinião do Portal Tela; a responsabilidade é do autor da mensagem. Conecte-se para comentar

Veja Mais