- Portugal continental dispõe de 1514 km² de áreas de baixo conflito para a produção de energia solar, mais de cinco vezes a área necessária para cumprir as metas de 2030.
- O estudo, da The Nature Conservancy em parceria com a Zero, apresenta uma estratégia de smart siting para acelerar a transição energética sem prejudicar a biodiversidade.
- Para atingir 15,1 GW de solar até 2030 seria necessário entre 131 e 300 km²; no entanto foram identificados 1514 km² com baixo conflito e alto potencial.
- No caso da energia eólica em terra, cerca de setenta por cento da meta pode vir de áreas de baixo conflito; faltariam 4,1 GW até 2030, com necessidade de 267 a 372 km², incluindo potenciais requalificações de parques existentes.
- Regiões Centro, Alentejo e Algarve apresentam dinâmicas distintas: o Centro é visto como muito interessante pela rede eléctrica; o Alentejo enfrenta menos zonas de baixo conflito; o Algarve é marcado por corredores de aves migratórias e áreas da Rede Natura 2000.
A divulgação do Guia Smart Siting Portugal revela zonas de baixo conflito para energia solar, suficientes para cumprir a meta de 2030. O estudo, elaborado pela The Nature Conservancy em parceria com a Zero, aponta 1514 km² de áreas com menor impacto ambiental.
Portugal continental dispõe de espaço para produzir energia solar com boa conservação da natureza. Estas áreas, classificadas como de baixo conflito, superam cinco vezes a área necessária para atingir as metas de 2030 no Plano Nacional de Energia e Clima (PNEC).
O guia, desenvolvido ao longo de dois anos, surge à medida que o Governo defini as Zonas de Aceleração de Energias Renováveis. O trabalho é orientado por Maria do Rosário Partidário, do IST, e visa mapear o chamado mapa verde exigido pela legislação europeia.
O que se pretende com o smart siting
Para atingir 15,1 GW de solar até 2030, o estudo estima a necessidade de entre 131 e 300 km² de terrenos adequados. Identificam-se 1514 km² de área com baixo conflito e elevado potencial, oferecendo margem para decisões políticas e técnicas.
No que diz respeito à energia eólica terrestre, o cenário é mais complexo, mas também promissor. Cerca de 70% da meta pode ser atingida em áreas de baixo conflito, com uma lacuna de 4,1 GW até 2030. Estima-se que 267 km² reúnem critérios ideais, dos 372 km² necessários.
Ricardo Filipe, da Zero, frisa que o remanescente pode vir do reequipamento de parques existentes ou de desenvolvimento controlado em áreas de conflito moderado, com medidas de mitigação rigorosas.
Impacto regional e económica
O Centro aparece como região “muito interessante” pela rede eléctrica avançada e proximidade a Lisboa, reduzindo a necessidade de novas linhas. O Alentejo, foco dos promotores solares, tem menos zonas de baixo conflito por conservação, destacando-se as estepes de Castro Verde.
No Algarve, a Rede Natura 2000 domina grande parte do território, o que complica novos projetos, embora ofereça menor competição por usos do solo. A pressão sobre áreas sensíveis tende a aumentar, segundo os especialistas.
O Guia resulta de mais de 70 entidades, entre ONGs, promotores, associações setoriais e organismos públicos. A metodologia já é usada noutros países e visa acelerar a renovação energética sem comprometer a natureza ou a aceitação social.
Perspetivas para a implementação
Francisco Ferreira, da Zero, sublinha a importância de evitar zonas de alto conflito para reduzir contestações. A estratégia visa também proteger a biodiversidade e facilitar licenciamento.
Os autores destacam a necessidade de uma abordagem de gradiente, não binária, para o ordenamento do território. Se não for viável num espaço de baixo conflito, podeemet usar uma área de conflito moderado com mitigação.
O guia pretende oferecer uma ferramenta técnica útil para decisões, promovendo projetos mais céleres, com melhor reputação e menor resistência pública, mantendo o foco na transição energética.
Entre na conversa da comunidade