- Mais de 134.803 pessoas foram deslocadas no nordeste da Síria, na província de Hasakah, nos últimos três dias, segundo a Organização Internacional para as Migrações (OIM).
- As deslocações seguem os confrontos entre o Exército sírio e as Forças Democráticas da Síria (FDS), que recuaram para Hasakah após terem sido expulsas de Alepo, Raqqa e Deir Ezzor.
- Mais de quarenta mil pessoas buscaram abrigo em abrigos coletivos na região e precisam de alimentos, colchões, cobertores e outros bens básicos.
- Quinze hundredares de deslocados procuraram refúgio na cidade curda de Kobani (Ain al-Arab), em Alepo, onde há escassez de água, comida e eletricidade, com início de neve e frio intenso.
- O Presidente interino sírio, Ahmad al-Sharaa, anunciou um cessar-fogo de quatro dias para apresentar um plano de integração pacífica da região, em contexto de tensões entre as FDS e o governo.
Mais de 134 mil pessoas foram deslocadas no nordeste da Síria, após confrontos entre o Exército sírio e as Forças Democráticas da Síria (FDS). O anúncio foi feito hoje pela Organização Internacional para as Migrações (OIM). A deslocação ocorreu sobretudo na província de Hasakah.
Nos últimos três dias, o número de deslocados em Hasakah aumentou para 134.803, face a 5.725 registados no domingo, segundo a OIM. As autoridades temem agravamento da crise humanitária na região.
As FDS, braço armado da administração autónoma curda, foram expulsas de Alepo no início de janeiro e recuaram para Hasakah, depois de ataques que também atingiram Raqqa e Deir Ezzor. O episódio intensificou o refugiamento.
O Presidente interino sírio, Ahmad al-Sharaa, ordenou um cessar-fogo de quatro dias para permitir um plano de integração pacífica da província de maioria curda. A medida visa reduzir as tensões na região.
Segundo a OIM, as deslocações refletem o medo de novos confrontos entre as FDS e as forças governamentais, especialmente perto de prisões e quartéis-general das FDS. A organização sublinha a urgência de alimentos e bens básicos.
Mais de 41.000 deslocados encontraram abrigo em refúgios coletivos na província de Hasakah, onde há carência de alimentação, almofadas e cobertores. A OIM também contabilizou 1.647 deslocados que procuraram refúgio em Kobani.
Kobani surge como cidade curda fronteiriça com a Turquia, onde os moradores relatam falta de água, alimento e eletricidade há quase quatro dias. Hoje começou a nevar e a enfrentar frio intenso.
A cidade de Kobani ficou conhecida pela vitória curda sobre o Estado Islâmico em 2015, com apoio da coligação liderada pelos EUA. A retirada de forças inimigas abriu caminho para a consolidação das FDS.
Os Estados Unidos tinham pressionado as FDS a avançar a aplicação de um acordo de integração previamente assinado em 2025. As negociações, porém, enfrentam divergências sobre a inclusão de membros curdos nas forças do Estado.
Nesrin Abdullah, comandante das YPJ, afirmou que o atual processo é visto como uma conspiração internacional contra os sírios, sobretudo contra o povo curdo. Não houve confirmação de avanços significativos.
A comandante referiu que as partes teriam aceitado integrar as unidades femininas, mas a outra parte retirou o apoio sem aviso. O futuro da formação manter-se-á em avaliação, com possíveis passos para uma força conjunta.
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