- O Instituto Nacional de Meteorologia de Moçambique (Inam) revelou que leva cerca de três horas a analisar informações antes de emitir alertas, por falhas tecnológicas, durante cheias generalizadas.
- O responsável explicou que, com um sistema automatizado, o tempo poderia baixar para cerca de uma hora, permitindo emitir o alerta mais rapidamente.
- Nesta quarta-feira, o Inam emitiu aviso amarelo devido à aproximação de uma depressão tropical que deverá trazer chuva e ventos fortes no sul do país.
- O balanço das cheias já aponta 114 mortos, 6 desaparecidos, 99 feridos e quase 680 mil pessoas afetadas, com milhares de casas danificadas ou destruídas.
- Em Maputo, Gaza e Inhambane continuam vias e estradas intransitáveis, com centenas de famílias ainda sitiadas e operações de resgate em curso.
O Instituto Nacional de Meteorologia (Inam) de Moçambique admitiu que, devido a fragilidades tecnológicas, a análise de dados para alertas e previsões pode demorar cerca de três horas. A situação ocorre em contexto de cheias generalizadas no país, que já fizeram severos estragos e elevam o risco para as comunidades locais.
Segundo o diretor-geral adjunto do Inam, Mussa Mustafa, a análise depende do tipo de informação. Em monitorização de ciclones tropicais, não é viável gastar apenas 30 minutos; toda a informação integrada num sistema único pode exigir uma hora para emitir o alerta. A intenção é reduzir o tempo sem comprometer a qualidade da informação.
Durante o lançamento de um projeto com a Finlândia, Mustafa sublinhou que, apesar da necessidade de tecnologia avançada, atualmente o Inam utiliza radares, satélites e outras ferramentas para acompanhar fenómenos meteorológicos e antecipar impactos no terreno. O objetivo é permitir que as comunidades tomem medidas preventivas.
A autoridade emitiu, nesta quarta-feira, um aviso amarelo devido à aproximação de uma depressão tropical que deverá provocar chuva e ventos fortes no sul do país, já confrontado com cheias significativas. O fenómeno encontra-se no Canal de Moçambique e deverá agitar o estado do mar com ondas de até quatro metros.
O aviso também alerta para ventos com rajadas previstas na região costeira das províncias de Maputo, Gaza e Inhambane. O Inam prevê chuva moderada a forte e rajadas de até 70 km/h, com potencial de intensificar as condições nas zonas afetadas.
O balanço da época de cheias mantém números alarmantes: 114 mortos, seis desaparecidos, 99 feridos e quase 680 mil pessoas afetadas. Dados do INGD mostram que, desde 1 de outubro até ao final de 19 de janeiro, 677.831 indivíduos foram atingidos, correspondendo a 141.818 famílias, com mais de 11 mil casas parcialmente destruídas e quase 5 mil destruídas na íntegra.
Até sexta-feira anterior, o governo já referia 103 óbitos e 173 mil afetados, levando ao acionamento de um estado de alerta vermelho. Atualmente estão ativos 72 dos 83 centros de acomodação criados desde o início da época, abrigando 88.525 pessoas, incluindo 58.616 removidas para áreas seguras.
As operações de resgate continuam em várias regiões, com centenas de famílias ainda isoladas pelas cheias. Em Maputo e Gaza, sul do país, famílias foram acolhidas em telhados de casas, enquanto as barragens, algumas de países vizinhos, têm aumentado as descargas por falta de capacidade.
Cerca de uma dezena de meios aéreos tem estado envolvidos nas operações, condicionadas pelo tempo. Em Maputo, as estradas N1 (direção norte) e N2 (direção sul) permanecem intransitáveis devido à subida das águas, impedindo o trânsito e atrasando ações de evacuação.
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