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Tecnologia obsoleta atrasa alertas em Moçambique

Instituto Nacional de Meteorologia admite falhas tecnológicas que atrasam alertas: a análise leva três horas, expondo comunidades à depressão tropical no canal de Moçambique

Na base improvisada no bairro 03 de Fevereiro, norte de Maputo, os helicópteros não param, com mantimentos para centenas de sitiados pelas cheias, em Manhiça, Moçambique, 20 de janeiro de 2026. As autoridades moçambicanas admitem que a gravidade destas cheias, que resultam de vários dias de forte chuva, que obrigaram à descarga de barragens, em Moçambique e nos países vizinhos, já será semelhante às de 2000.
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  • O Inam, Instituto Nacional de Meteorologia de Moçambique, admite cerca de três horas para analisar informações antes de emitir alertas devido a fragilidades tecnológicas, em plena cheias generalizadas.
  • A análise varia consoante a informação; monitorizar um ciclone tropical pode exigir até uma hora para emitir o alerta, segundo o diretor-geral adjunto Mussa Mustafa.
  • Foi emitido um aviso amarelo com aproximação de depressão tropical, previsão de chuva moderada a forte, ventos até quarenta km/h a setenta km/h e ondulação até quatro metros.
  • O balanço da época das chuvas indica 114 mortos, 6 desaparecidos, 99 feridos e quase 680 mil afetados; até 19 de janeiro, 677.831 pessoas foram afetadas, em 141.818 famílias.
  • Continuam ações de resgate e assistência; estradas N1 (norte) e N2 (sul) em Maputo permanecem intransitáveis, com 72 dos 83 centros de acolhimento ativos e 88.525 pessoas em abrigos.

O Instituto Nacional de Meteorologia (Inam) de Moçambique reconheceu nesta quarta-feira que a emissão de alertas e previsões tem sido atrasada por cerca de três horas. A fragilidade tecnológica, num momento de cheias generalizadas, condiciona a análise de informações antes de comunicar o tempo no terreno.

O responsável, Mussa Mustafa, diretor-geral adjunto do Inam, explicou que a linha de monitorização envolve um sistema único automatizado. Em situações de ciclones, a análise pode durar mais, mas reduzindo o tempo de avaliação é possível emitir avisos mais rápidos. A parceria com a Finlândia envolve o lançamento de um projeto de melhoria tecnológica.

As autoridades destacam que a antecipação das informações pretende traduzir-se em ações concretas no terreno e proteger comunidades. O Inam emitiu um aviso amarelo devido à aproximação de uma depressão tropical associada a chuva e ventos fortes no sul do país, já com cheias generalizadas em várias regiões.

Situação atual das cheias

A depressão tropical encontra-se no Canal de Moçambique e pode provocar ventos de rajada até 70 km/h e ondas de até quatro metros. A previsão aponta chuva moderada a forte, com impactos nas províncias de Maputo, Gaza e Inhambane. O fenómeno acontece num contexto de inauguração de cheias que já afectam milhares de pessoas.

Dados do Instituto Nacional de Gestão e Redução do Risco de Desastres (INGD) indicam 114 mortes, seis desaparecidos, 99 feridos e quase 680 mil pessoas afetadas desde o início da época das chuvas. Distribuídas por 677.831 indivíduos, 141.818 famílias sofreram impactos, com 11.367 casas parcialmente danificadas e 4.910 destruídas.

Operações e mobilização

Cerca de 72 dos 83 centros de acomodação criados durante a época permanecem ativos, com 88.525 pessoas sob abrigo. Do total, 58.616 foram retiradas de zonas evacuadas. As operações envolvem uma dezena de meios aéreos, em resposta às condições atmosféricas que dificultam os trabalhos de resgate.

Maputo regista estradas intransitáveis, nomeadamente a Nacional 1 para norte e a Nacional 2 para sul, devido à subida das águas. As autoridades continuam a coordenar ações de resgate para centenas de famílias isoladas, sobretudo em Maputo e Gaza.

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