- ONU alerta que o Haiti vive uma fase crítica do processo de restauração institucional, com a transição prevista para terminar a 7 de fevereiro de 2026 e apela a um esforço nacional para eleições ainda este ano.
- Homicídios intencionais em 2025 aumentaram quase 20% face a 2024, enquanto grupos armados mantêm capacidade de ataque coordenado e controle de corredores económicos e regiões-chave.
- Força de Supressão de Gangues, criada pela ONU, tem impulsionado a recuperação de territórios e a reabertura de vias em áreas comoPorto Príncipe e Artibonite, com presença estatal gradualmente a aumentar.
- Massieu sublinhou a necessidade de que autoridades, instituições, partidos, sociedade civil e setor privado preservem continuidade institucional e concentrem-se na organização das eleições.
- O director-executivo interino do Unodc informou que redes criminosas se estruturaram, com extorsão e tráfico como fontes de financiamento; os Estados Unidos anunciaram manter sanções e restrições para combater a impunidade.
Numa reunião do Conselho de Segurança da ONU sobre a situação no Haiti, o chefe do Escritório das Nações Unidas no Haiti (Binuh), Carlos Ruiz Massieu, reconheceu perspetivas de progresso político e de segurança para este ano. O objetivo é avançar num caminho estável, com responsabilidades políticas claras e cooperação internacional contínua.
Massieu afirmou que o Haiti atravessa uma fase crítica na restauração das instituições democráticas, com a transição a encerrar a 7 de fevereiro de 2026. Apelou aos atores nacionais para conter a fragmentação, manter a continuidade institucional e avançar para as eleições ainda este ano.
O representante da ONU reiterou que o tempo de manobras políticas terminou e pediu que autoridades, partidos, sociedade civil, setor privado e líderes comunitários atuem com responsabilidade para o interesse nacional. O foco é consolidar a segurança e a normalização institucional.
Ação e segurança no terreno
Sobre a segurança, Massieu alertou para a capacidade dos gangues de realizar ataques coordenados e dominar corredores económicos e regiões agrícolas. Estas ações têm causado deslocações de pessoas e sobrecarregado a resposta humanitária.
Segundo dados apresentados pela ONU, os homicídios intencionais em 2025 aumentaram quase 20% face a 2024. O Haiti continua a enfrentar uma crise aguda de segurança, agravada pela violência de gangues.
Em setembro, a ONU aprovou a transformação da Missão de Apoio Multinacional à Segurança no Haiti numa Força de Supressão de Gangues, com um mandato inicial de 12 meses. A força tem apoiado operações que visam recuperar territórios.
No país, as operações já resultaram na reabertura de algumas redes rodoviárias em Port-au-Prince e no departamento de Artibonite, com a presença do Estado a ser gradualmente reforçada ao redor do Champ de Mars, onde se situa o Palácio Nacional.
Desfechos e próximos passos
Massieu disse que a pressão sobre os gangues tem produzido resultados, com ganhos de segurança em parte do território. O desafio é ampliar e sustentar estas melhorias, mantendo o foco em estabilidade institucional.
John Brandolino, diretor-executivo interino do Unodc, apresentou dados sobre fontes e rotas de armas ilegais e fluxos financeiros ilícitos que alimentam o crime. Alertou para a transformação da segurança haitiana em risco mais estrutural.
Os Estados Unidos reiteraram, na reunião, o compromisso em perseguir quem financia ou armadilha grupos criminosos. Anunciaram sanções adicionais e medidas para restringir imigração, com o objetivo de enfrentar a impunidade que persiste no país.
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