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Concurso de médicos de família deixa 65% das vagas desertas

Concurso de segunda época para médicos de família preenche apenas 50 de 142 vagas, com grandes disparidades regionais e 77.500 utentes sem médico em Lisboa

Reportagem no Centro de Saúde de São João da Madeira, um dos únicos centros de saúde em todo o país onde todos os utentes têm médico de família. 24 de Maio de 2023 São João da Madeira, Aveiro TOMÁS SILVA/OBSERVADOR
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  • O concurso de segunda época para médicos de família no SNS contou com 142 vagas e apenas 50 foram ocupadas (35%), deixando quase dois terços desertas.
  • Regiões com maior desertificação: Lisboa e Vale do Tejo preenchidas apenas 24 de 84 vagas; Norte teve melhor desempenho (15 de 18), enquanto Algarve (1 de 3) e Alentejo (2 de 6) tiveram baixa ocupação.
  • Das 50 colocações, 38 eram internos; 8 sem vínculo com o SNS, 3 com contrato de prestação de serviços e 1 com contrato a termo certo.
  • A ACSS aponta que 50 médicos colocarão médico de família a pelo menos 77.500 utentes, incluindo 37.200 na região de Lisboa e Vale do Tejo, onde há maior carência.
  • O resultado é semelhante ao do primeiro concurso de 2025 (39% de vagas ocupadas), e, no final de 2025, havia 1.563.710 utentes sem médico de família.

O concurso de segunda época para médicos de família no Serviço Nacional de Saúde obteve ocupação inferior ao esperado. Dos 142 lugares disponíveis, apenas 50 foram preenchidos, correspondendo a 35% do total. Dados da Administração Central do Sistema de Saúde (ACSS) publicados pelo Observador confirmam o cenário.

A ACSS explica que, no concurso de 2025, aberto entre 18 e 29 de dezembro, foram colocados 50 médicos especialistas em Medicina Geral e Familiar (MGF). Em comparação, no anterior concurso, em 2024, tinham ficado contratados 62 médicos.

As disparidades regionais são marcantes. Na região Norte, a maioria das vagas foi preenchida (15 em 18). Já em Lisboa e Vale do Tejo, a zona com maior carência de médicos, mais de 70% das vagas ficaram vagas desertas, com 84 oferecidas e apenas 24 ocupadas. Nessa região, nove dos 24 colocados ficaram na Unidade Local de Saúde Amadora-Sintra, onde há quase 200 mil utentes sem médico.

Entre as ULS com maior vazio de médicos, o Oeste e o Estuário do Tejo abriram 13 vagas e atraíram apenas três médicos, dois no Oeste e um no Estuário do Tejo, números insuficientes para atender a necessidade local. No Centro, apenas 8 das 29 vagas foram ocupadas, estando as mais carenciadas — Guarda e Leiria — com apenas quatro vagas preenchidas.

No Algarve, duas das três vagas foram ocupadas, enquanto no Alentejo entraram apenas dois médicos e ficaram por preencher seis vagas. A ACSS realça que a colocação dos 50 médicos permitirá atribuir médico de família a pelo menos 77.500 utentes, incluindo 37.200 em Lisboa e Vale do Tejo.

Entre os colocados, 38 eram internos, 3 tinham contrato de prestação de serviços, 1 com contrato de trabalho com termo certo e 8 não tinham vínculo com o SNS. O resultado é pouco distinto do 1º concurso de 2025, que registou apenas 39% de preenchimento no universo de 585 vagas.

Além disso, 15 das 17 vagas de Saúde Pública ficaram ocupadas neste segunda época. O número de utentes sem médico de família aumentou no final de 2025, somando 1.563.710 utentes sem médico, deixando uma subida de cerca de 6 mil em relação ao mês anterior.

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