- A China acusou a União Europeia de sobredimensionar o conceito de segurança nas telecomunicações, após a UE apresentar um pacote de cibersegurança.
- A iniciativa comunitária pode restringir a participação de empresas chinesas em infraestruturas estratégicas da UE.
- O porta-voz chinês, Guo Jiakun, afirmou que as empresas chinesas atuam na Europa dentro da lei e têm contribuído para o desenvolvimento das telecomunicações e da economia digital.
- Pequim critica a imposição de restrições sem provas técnicas, chamando-a de politização e protecionismo, e alertando para custos elevados no mercado.
- O anúncio da UE segue uma lei de cibersegurança que cria um quadro para avaliar riscos em infraestruturas críticas, com foco em redes como 5G/6G, computação em nuvem e semicondutores, sem mencionar nomes.
O governo chinês reagiu nesta quarta-feira a uma iniciativa da UE sobre cibersegurança, afirmando que a Comissão Europeia está a “sobredimensionar” o conceito de segurança nas telecomunicações. A medida pode restringir a participação de empresas chinesas em infraestruturas estratégicas.
O porta-voz do Ministério dos Negócios Estrangeiros, Guo Jiakun, disse que Pequim está preocupado com a proposta comunitária. Afirmou que as empresas chinesas atuam na Europa de acordo com a lei, contribuindo para as telecomunicações e para a economia digital.
Guo criticou as restrições baseadas em critérios não técnicos sem provas factuais, dizendo que violam princípios de mercado e de concorrência leal. Considerou que há politização da cooperação e protecionismo.
Intervenções no mercado, na perspetiva de Pequim, não aumentam a segurança e criam custos elevados. A China alega ainda que a remoção forçada de equipamentos chineses já provocou perdas económicas significativas.
A China alerta que a estratégia europeia pode frear o progresso tecnológico e económico da UE e prejudicar a imagem do mercado europeu como espaço aberto a investimentos. Pede que Bruxelas não siga o caminho do protecionismo.
Contexto europeu
Bruxelas apresentou na terça-feira uma nova lei de cibersegurança que cria um quadro comum para avaliar riscos em infraestruturas críticas da UE. Impõe maior controle sobre redes 5G/6G, computação em nuvem e semicondutores.
A normativa abre espaço para restrições ou exclusão de fornecedores considerados de alto risco. O texto não nomeia países ou empresas, mas a Comissão tem expressado reservas sobre a participação de firmas chinesas no bloco.
Desde 2019, a UE já tinha mostrado cautela quanto a empresas como Huawei e ZTE na construção de redes de telecomunicações do bloco, sem se referir a nomes de forma direta no texto atual.
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