- Dois dos 37 detidos na megaoperação ao grupo neonazi 1143 não são civis — um da Polícia de Segurança Pública e um militar.
- A ação, liderada pela Polícia Judiciária e dirigida a Mário Machado, visou prevenir homicídios e outros crimes violentos de motivação política.
- A Polícia de Segurança Pública confirmou que um detido integra o Comando Distrital de Setúbal e que serão acionados procedimentos disciplinares conforme os factos.
- A investigação indicou ligações do grupo a uma claque de futebol, revelando uma dimensão organizada da associação criminosa.
- Embora não tenha sido recolhida prova de ataque iminente, o diretor nacional Luís Neves afirmou que crimes de natureza politicamente motivada terão resposta firme, com desconhecimento de que houve aumento de crimes de ódio de 9 em 2019 para 64 em 2025.
A Polícia Judiciária confirmou que dois dos 37 detidos na megaoperação de desmantelamento do grupo neonazi 1143 não são civis. Tratam-se de um elemento da PSP e de um militar, ambos ligados à investigação que visa o grupo encabeçado por Mário Machado. O objetivo principal é prevenir homicídios e outros crimes violentos de motivação política.
Em conferência na sede da PJ, o diretor nacional Luís Neves indicou que a atuação foi preventiva e sustentada por indícios graves. A instituição não pretende repetir episódios de violência racista em Portugal, como o homicídio de Alcindo Monteiro, em 1995, no Bairro Alto.
A PSP confirmou a detenção de um elemento que integra o Comando Distrital de Setúbal. A força afirma aguardar o acesso a informações detalhadas sobre os crimes imputados ao agente e adianta que serão desencadeados os respetivos procedimentos disciplinares assim que os factos forem conhecidos.
Neves reforçou que todos os crimes de natureza politicamente motivada terão resposta firme da PJ, independentemente da origem ideológica. Entre dados relevantes, realçou que, em 2019, foram registados nove crimes de ódio, número que ascendeu para 64 em 2025, evidenciando uma escalada de criminalidade deste tipo.
Apesar do elevado número de detenções, a PJ esclareceu que não foram recolhidas provas de preparação de um ataque iminente. Ainda assim, a investigação indicou a existência de convicção de que a violência poderia concretizar-se perante determinadas circunstâncias.
A operação representa um dos mais significativos golpes contra estruturas extremistas em território nacional e demonstra o combate estatal a fenómenos de radicalização com potencial violento. O caso continua a ser acompanhado pelas autoridades competentes para esclarecer todas as ligações dentro da organização.
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