- ONU revela início da “era da falência hídrica global” e pede liderança para redefinir a agenda mundial da água, em Dakar.
- O relatório afirma que muitos sistemas hídricos já não conseguem recuperar-se, com danos irreversíveis em bacias hidrográficas.
- Dados indicam que mais da metade dos grandes lagos perdeu água desde a década de noventa; cerca de 410 milhões de hectares de zonas húmidas foram destruídos nas últimas cinco décadas.
- ~Setenta por cento dos principais aquíferos mostram declínio; desde 1970 já se perdeu mais de trinta por cento da massa glaciar; água segura disponível diminuiu.
- O estudo estima que mil milhões de pessoas vivem com insegurança hídrica crónica, quase quatro mil milhões enfrentam escassez grave por pelo menos um mês ao ano, e quase três quartos da população mundial está em países com água insegura.
Um relatório das Nações Unidas alerta para o início da chamada era da falência hídrica global. O documento conclui que muitos sistemas de água já operam acima da capacidade sustentável e pede aos líderes mundiais uma nova agenda para enfrentar a crise.
O relatório, intitulado Falência Hídrica Global: Viver para Além dos Nossos Meios, aponta que termos como stress ou crise hídrica não refletem mais a realidade em várias regiões, onde danos irreversíveis já comprometem bacias inteiras. A publicação surgiu à beira de uma reunião de alto nível em Dakar, para preparar a Conferência Mundial da Água de 2026.
Dados-chave
Kaveh Madani, principal autor e diretor do UNU-INWEH, afirma que muitos sistemas hídricos já não conseguem manter o abastecimento, com danos que se estendem a aquíferos, zonas húmidas e glaciares. O estudo indica que a água disponível está a diminuir e que a gestão precisa de mudar de crise para falência para evitar perdas adicionais.
As estatísticas do relatório são alarmantes: mais de metade dos grandes lagos mundiais perdeu água desde os anos 1990; em cinco décadas, cerca de 410 milhões de hectares de zonas húmidas naturais desapareceram. Cerca de 70% dos principais aquíferos mostram declínio, e houve uma redução de mais de 30% na massa de gelo desde 1970.
Impactos humanos e geopolítica
Calcula-se que bilhões vivam com insegurança hídrica crónica, com quase 4 mil milhões enfrentando escassez severa por pelo menos um mês anual. Aproximadamente três quartos da população mundial reside em países classificados como inseguros ou criticamente inseguros em termos de água.
O relatório sustenta que a escassez afeta não apenas o fornecimento de água, mas também a produção de alimentos e a estabilidade social. A agricultura é destacada como setor prioritário para reformas que reduzam o consumo hídrico, especialmente em regiões com armazenamento instável.
Propostas e próximos passos
Os governos são chamados a abandonar a gestão de crises e adotar medidas de prevenção de falência hídrica, com reformas na irrigação, mudanças de culturas e infraestruturas urbanas mais eficientes. O documento destaca a necessidade de cooperação multilateral para transformar a água num fator de confiança entre estados.
O estudo acrescenta que investir em água também contribui para mitigar alterações climáticas, perda de biodiversidade e desertificação. O intuito é evitar impactos sociais graves, especialmente para pequenos agricultores, comunidades indígenas, residentes de baixa renda e mulheres.
Contexto internacional
A publicação reforça que a água atravessa fronteiras políticas e pode servir de ponte para maior cooperação. A ONU enfatiza que a gestão hídrica justa é essencial para manter paz, estabilidade e coesão social em cenários de vulnerabilidade hídrica.
A ONU e a UNU destacam que a falência hídrica não é uma condenação, mas um chamado à ação. O relatório reforça a urgência de decisões ambiciosas para proteger pessoas, economias e ecossistemas, com base em dados confiáveis e planos de implementação.
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