- O Governo quer reduzir, em muitos casos, o número de provas de ingresso no acesso ao ensino superior, gerando debate público.
- Na primeira fase de 2025/2026, as candidaturas ao ensino superior público ficaram abaixo de cinquenta mil, com mais de onze mil e quinhentos lugares sobrantes após essa fase, aumento acima de cento e trinta por cento face ao ano anterior.
- A demografia, o custo da frequência e a perceção de retorno do investimento académico ajudam a explicar a redução de candidaturas e o papel do mercado de trabalho na decisão dos estudantes.
- A autonomia institucional para definir até três provas de ingresso pode criar desequilíbrios; exceções para certos cursos exigem alinhamento com o panorama educativo global.
- O foco deve ser adaptar o ensino superior às necessidades do mercado, reforçar competências práticas e transversais, e considerar caminhos não universitários, como cursos profissionais ou experiências internacionais.
O debate sobre as regras de acesso ao ensino superior voltou à agenda pública, com o Governo a propor reduzir o número de provas de ingresso na maioria dos casos. A ideia visa simplificar o acesso, mas suscita dúvidas sobre o que acontece depois da entrada no ensino superior.
A opinião de Natália Espírito Santo aponta para que o foco não seja apenas o número de provas, mas o alinhamento entre o que se oferece em 1º ciclo e as expectativas de quem investe tempo e dinheiro numa formação. A posição ressalta a necessidade de clarificar impactos de mudanças já em prática no último ano letivo.
No ano letivo de 2025/2026, as candidaturas ao ensino superior público caíram para menos de 50 mil na primeira fase. Dos mais de 55 mil lugares disponíveis, sobraram mais de 11.500 vagas já nessa fase, um aumento superior a 130% face ao ano anterior. Dados denunciam uma partilha problemática entre oferta e procura.
A queda de candidaturas decorre de fatores como demografia, custos de frequência e perceção de retorno económico. Estima-se que, até 2035, a população entre 20 e 29 anos reduza cerca de 13,5%, afectando a base de recrutamento das instituições. Além disso, propinas, alojamento e deslocações pesam no rendimento familiar.
A análise aponta que a autonomia conferida às instituições para fixar o número de provas pode gerar desequilíbrios. Exceções para determinados cursos, que exigem mais de uma prova, precisam estar alinhadas com o panorama global de ensino. A falta de transparência pode criar perceções de desigualdade no sistema.
Para além das regras de acesso, reforça-se a necessidade de adaptar o ensino superior aos tempos atuais. Empresas e universidades criticam a lacuna de competências práticas, metodológicas e transversais. Considera-se essencial desenvolver pensamento crítico, comunicação e literacia digital ao longo dos percursos.
O texto sugere a diversificação de percursos para além do modelo universitário tradicional, incluindo cursos profissionais, experiências internacionais e opções de requalificação. Dados laborais continuam a indicar maior empregabilidade para diplomados com qualificação adequada.
O foco passa a ser o alinhamento entre o ensino superior e as necessidades do mercado de trabalho. Atualizar planos de estudo e responder a perfis de aprendizagem, inclusive de adultos, são apontados como pilares para uma formação que faça sentido no mundo real. A avaliação permanece em equilíbrio entre acesso e qualidade da formação.
Elemento: Direção, Atlântica – Instituto Universitário
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