- O prolapso dos órgãos pélvicos é uma condição frequente entre mulheres’, associada ao envelhecimento e a fatores que aumentam a pressão intra-abdominal, com estudos a indicar que entre cinquenta e oitenta e nove anos pelo menos trinta por cento já experienciam algum grau de prolapso.
- A cirurgia com malhas sintéticas para tratar o problema foi associada a erosões, infeções e uma taxa de reoperação de cerca de trinta por cento, levando a FDA a proibir o uso transvaginal dessas malhas em mil e oitocentos e dezenove.
- A investigadora Elisabete Silva está a desenvolver uma malha biodegradável, produzida por Melt Electro-Writing, capaz de adaptar-se a direções diferentes dentro da cavidade pélvica e evitar os problemas das malhas rígidas.
- A equipa pretende incorporar antibióticos e, eventualmente, anti-inflamatórios na própria malha, para libertação lenta e controlo de infeções, apesar de a impressão exigir temperaturas altas que constituem um desafio técnico.
- Em dois mil e vinte e quatro, o projeto recebeu cinquenta mil euros de financiamento da Fundação la Caixa, em colaboração com a Fundação para a Ciência e a Tecnologia, com o objetivo de levar a malha ao mercado, ainda numa fase de protótipo e testes laboratoriais.
O prolapso dos órgãos pélvicos é uma condição pouco abordada que afeta a sustentação da bexiga, do útero ou do intestino. O enfraquecimento dos músculos e ligamentos pode levar ao deslocamento dos órgãos, causando desconforto e impacto no movimento. A incidência aumenta com a idade e com fatores como gravidez, parto e atividades físicas de alto impacto.
A gravidade do problema é agravada pela vergonha associada e pela escassez de dados estatísticos. Em estádios iniciais, a fisioterapia pode ser suficiente; em fases mais avançadas, a intervenção cirúrgica surge como opção. A alternativa tradicional envolveu malhas sintéticas, amplamente usadas para reforçar tecidos e reposicionar órgãos.
Uma malha que se ajusta ao corpo
A FDA proibiu, em 2019, o uso de malhas sintéticas no tratamento transvaginal do prolapso devido a erosões, infeções e necessidade de reoperações. A investigadora Elisabete Silva desenvolve uma malha biodegradável, mais flexível, via Melt Electro-Writing, para substituir as soluções banidas.
A tecnologia permite criar fibras microscópicas que se deformam em várias direções, adaptando-se à cavidade pélvica. O projeto prevê incorporar antibióticos e anti-inflamatórios com libertação lenta, visando reduzir infeções e a necessidade de novas operações. O principal desafio é manter a integridade dos fármacos com as altas temperaturas da impressão.
Laboratórios e protótipos já mostraram resultados promissores, mas ainda não há testes em modelos vivos. O conceito está definido, o protótipo existe e os resultados são encorajadores. O próximo passo envolve registo de patente e parcerias industriais para avanços clínicos.
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