- Pedro Sarmento morreu esta sexta-feira, aos 59 anos, considerado o principal motor da reintrodução do lince-ibérico em Portugal.
- Foi coordenador e responsável técnico do programa in situ para a espécie, acompanhando os primeiros libertos em 2015 e assegurando a adaptação dos animais.
- Era visto como a “cabeça” pública do projeto, com impacto reconhecido também em Espanha, contribuindo para um dos maiores êxitos de conservação da região.
- O trabalho de Sarmento ajudou a criar uma rede de centros de reprodução em cativeiro na Península Ibérica e consolidar a reintrodução da espécie.
- Apesar do sucesso recente, a conservação do lince-ibérico permanece um desafio a seguir, segundo colegas e parceiros.
Pedro Sarmento, figura central na reintrodução do lince-ibérico em Portugal, faleceu esta sexta-feira aos 59 anos. Coordenação e responsabilidade técnica do programa in situ, foi o principal motor dos movimentos de conservação da espécie.
Quando os primeiros linces foram libertados em Portugal, em 2015, Sarmento passou longos períodos no terreno, assegurando a adaptação dos animais ao novo habitat. A dedicação levou-o a acampar durante quase um ano para monitorizar a espécie.
Sarmento foi reconhecido como uma referência autêntica no campo da conservação do lince-ibérico, tendo desempenhado um papel decisivo na criação de redes de centros de reprodução na Península Ibérica e no avanço de planos de ação nacionais.
Legado e impacto
Rodrigo Serra descreve-o como o grande motor da reintrodução, com influência que ultrapassa fronteiras. O trabalho de Sarmento tornou Portugal numa referência no programa ibérico de reprodução e recuperação da espécie.
Carlos Albuquerque, antigo diretor da Conservação da Natureza, realça a visão estratégica do biólogo, destacando que o esforço não se ficou pela resiliência face à perda, mas pela transformação da conservação em realidade prática.
Nuno Costa Neves, veterinário do ICNF, classifica a perda como irreparável, lembrando a capacidade de Sarmento de orientar atividades científicas e operacionais com rigor e foco.
Contexto atual
À época, a situação do lince-ibérico em Portugal era crítica, com menos de 100 animais selvagens distribuídos entre dois núcleos na Andaluzia. O programa de reprodução em cativeiro e a rede ibérica foram referências para o avanço recente, com população estimada em cerca de 2400 linces, incluindo mais de 300 em Portugal.
Apesar do progresso, especialistas sublinham que o trabalho não está concluído. Sarmento foi uma voz imprescindível na continuidade das ações, deixando um caminho estruturado para quem o seguir.
Próximos passos
A comunidade conservacionista afirma que é essencial manter o impulso e unir esforços em torno do projeto. O objetivo é consolidar as evidências científicas, adaptar estratégias e assegurar a viabilidade da espécie a longo prazo.
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