- Em 2024/2025, o privado tem 58% de docentes doutorados, contra 57% no público, segundo dados do Observatório do Ensino Superior Privado (OESP) com base na DGEEC.
- Historicamente o público tem predominância nesse indicador, mas, na última década, o privado tem vindo a subir e o público a diminuir.
- O OESP aponta fragilidades no privado, como o aumento de alunos sem correspondente aumento de professores.
- Entre 2014 e 2024, licenciaturas cresceram 33,4%, doutoramentos 36,2% e mestrados apenas 6%, com um “colapso silencioso” nos mestrados integrados.
- No conjunto da década, o setor privado cresceu acima de 60% no número de alunos, enquanto o público avançou 24%.
As instituições de ensino superior privadas já têm mais docentes doutorados do que as públicas, segundo dados do Observatório do Ensino Superior Privado (OESP). O relatório aponta que, no ano letivo de 2024/2025, 58% dos docentes no privado são doutorados, face a 57% no público, com base na DGEEC.
A coordenação do OESP sublinha que, historicamente, o setor público apresenta maior proporção de doutorados, mas tem assistido a uma diminuição gradual nessa banda nos últimos dez anos, ao passo que o privado tem registado um aumento constante.
Contexto e dados globais
Os dados do OESP visam medir participação, garantia de ensino e sustentabilidade do sistema, revelando um crescimento paralelo de alunos e professores no privado e no público. Os números indicam maior qualificações entre docentes no ensino privado.
Cristina Ventura, da equipa do Observatório, destaca fragilidades no privado, nomeadamente o descompasso entre o aumento de alunos e de docentes, contrastando com o ritmo quase proporcional observado no público.
Evolução de licenciaturas, doutoramentos e mestrados
Entre 2014 e 2024, o número de estudantes em licenciaturas passou de cerca de 212 mil para 283 mil ( +33,4%), e doutoramentos de 20 mil para 26 mil (+36,2%). Os mestrados cresceram pouco, de 113 mil para 120 mil (+6%).
O Observatório nota que os mestrados integrados registaram queda, ao contrário de licenciaturas e doutoramentos, que cresceram. O ritmo de entrada em mestrados de 2.º ciclo foi superior ao observado no 1.º ciclo.
Motivações e perspetivas
Ventura aponta que a taxa de progressão para mestrado é baixa, com muitos terminar a licenciatura já a entrar no mercado de trabalho. Fatores económicos, acesso aos cursos e reconhecimento profissional influenciam a decisão de prosseguir estudos.
O Observatório planeia continuar a investigar áreas como prática de ação social, contributo do setor privado para a formação de professores e a empregabilidade dos diplomados, para entender desequilíbrios entre setores.
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