- A dupla de músicos do projeto Música nos Hospitais percorre unidades de saúde com um carrinho de instrumentos, muitos deles criados a partir de objetos do dia a dia ou de material hospitalar.
- Joana Afonso, música há oito anos na associação, e Rute Matias, música há quinze anos, atuam em Lisboa para ajudar crianças e idosos a esquecerem a doença e sentirem-se mais humanos.
- A missão é a de humanizar os cuidados de saúde, adaptando-se ao ambiente e às pessoas presentes, sem ensaios prévios ou previsões de atuação.
- As remunerações principais de Joana e Rute não vêm da música; ambas trabalham noutras áreas (marketing e contabilista) e realizam as intervenções no âmbito da associação sem depender de pagamento pela música.
- As operadoras destacam os momentos emocionais vividos, incluindo choros e memórias de pacientes, descrevendo a atividade como um privilégio e uma forma de contribuir para uma vida mais digna.
O projeto Música nos Hospitais leva músicos às unidades de saúde com a missão de humanizar os cuidados. Joana Afonso e Rute Matias atuam em dupla, circulando com instrumentos feitos de objetos do quotidiano ou material hospitalar. O objetivo é que crianças e idosos esqueçam a doença e se lembrem de serem pessoas.
As intervenções ocorrem em várias áreas, incluindo a unidade de cuidados paliativos da Clínica São João de Ávila, em Lisboa. As artistas trabalham há oito e quinze anos, respetivamente, e não vivem da música: Joana atua em marketing e Rute é musicista e contabilista. Ambos os papéis reforçam a vocação social da associação.
Cada atuação começa sem um programa fixo. O par escolhe a primeira música e, a partir daí, adaptam-se ao ambiente e às pessoas presentes, procurando temas que gerem reconhecimento sem forçar emoções. O carrinho de instrumentos acompanha a dupla em cada intervenção.
O que está em jogo
A dupla explica que a música tem um propósito claro: oferecer uma experiência humana aos utentes, acompanhantes e profissionais de saúde. O foco é manter a neutralidade emocional, ajustando-se ao estado de cada pessoa.
Durante as apresentações, há momentos de grande intensidade. Rute recorda um episódio em que uma mãe recebeu o diagnóstico de cancro do filho; apesar da dor, a música ajudou a envolver a criança e a família. Joana também menciona situações de hospitalização que marcaram a sua prática.
Apesar dos desafios, ambas dizem sentir-se realizadas com o trabalho. Na visão delas, a vida se revela nessas interações, e contribuir para que esse momento seja mais humano é considerado um privilégio. A prática é descrita como uma resposta simples, porém poderosa, ao sofrimento hospitalar.
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