- Julio Iglesias é acusado de agredir sexualmente duas ex-funcionárias que trabalhavam nas casas do cantor na República Dominicana e nas Bahamas, com casos que remontam a 2021.
- A queixa foi apresentada ao Ministério Público no início deste mês, segundo investigações do elDiario.es e da Univision Noticias que duraram três anos.
- As denunciantes dizem sofreram abusos repetidos, toques sexuais não consentidos e um ambiente de abuso de poder, com possível crimes de tráfico de pessoas para trabalho forçado e servidão, entre outros.
- As trabalhadoras afirmaram condições de trabalho abusivas, jornadas longas e ausência de contratos formais, com remuneração em torno de 25 mil pesos dominicanos (cerca de 350 euros).
- O cantor, com 82 anos, e a mulher, Miranda Rijnsburger, ainda não se pronunciaram; a biografia de Ignacio Peyró pode ganhar edição revisada para incluir as acusações.
Julio Iglesias é acusado de agressões sexuais a duas ex-funcionárias que trabalhavam nas casas do artista na República Dominicana e nas Bahamas. As denúncias remontam a 2021 e foram apresentadas ao Ministério Público no início deste mês. O leque de acusações pode incluir tráfico de pessoas para trabalho forçado, servidão e crimes contra a liberdade sexual.
As queixas, apuradas pelo elDiario.es e pela Univision Noticias após três anos de investigação, descrevem um padrão de abuso de poder. As testemunhas dizem que as jornadas eram longas, com trabalho quase contínuo, e que relações sexuais eram impostas de forma reiterada. O cantor de 82 anos não reagiu publicamente, e a esposa Miranda Rijnsburger permanece em silêncio.
Rebeca, a primeira a relatar, afirma ter sido pressionada a ter relações quase todas as noites, com insultos quando resistia. Laura, a segunda denunciou o controle exercido por Iglesias, incluindo ameaças de demissão. Ambas não teriam contrato formal e teriam sido contratadas após uma entrevista por WhatsApp, com remuneração de cerca de 350 euros mensais.
A relação de trabalho descreve ainda uma pressão por parte do artista para manter as funcionárias em casa, como forma de evitar contágio de covid-19. As denúncias detalham acordos de trabalho de 10 horas diárias, sem folgas nos primeiros meses, com moradia na residência do artista.
Entre os relatos, uma das denunciantes, que era fisioterapeuta do artista, descreve situações de toque inadequado e avanços sexuais em praias privadas. Outra ex-funcionária relata confirmar pedidos de contato sexual e situações que a deixaram com trauma psicológico após o término do vínculo.
Ex-funcionárias ouvidas apontam para uma hierarquia de funcionárias, com as que trabalhavam como parte do grupo conhecido como “damas” a receber condições relativamente melhores, ainda assim envolvidas em convites para relações impróprias. Todos os depoimentos mencionam exames ginecológicos e de DST marcados pela responsável de recursos humanos, que não respondeu à investigação.
Entre as reações, uma antiga chefe de serviço classificou as acusações como infundadas e manteve o apreço por Julio Iglesias, descrito como humilde e respeitoso com as mulheres. O caso já provocou impactos editoriais, com a editora Libros del Asteroide anunciando uma edição revista de uma biografia do artista para refletir as alegações.
> Fonte: investigação conjunta de elDiario.es e Univision Noticias, com consultas a mais de 15 ex-funcionários que trabalharam nas casas entre 1990 e 2023. A situação permanece em avaliação pelas autoridades espanholas.
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