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Ex-subgerente do Montepio nega envolvimento em burlas de 800 mil euros

Antiga subgerente do Montepio nega envolvimento em esquema que alegadamente causou 800 mil euros de prejuízo; julgamento em Aveiro prossegue

Ex-subgerente do Montepio nega envolvimento em esquema de burlas de 800 mil euros
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  • Uma antiga subgerente do Montepio está a ser julgada no Tribunal de Aveiro, acusada de participação num alegado esquema que causou um prejuízo de cerca de 800 mil euros ao banco.
  • O processo envolve o balcão do Montepio de Esmoriz, em Ovar, entre março de 2018 e maio de 2019, e inclui a antiga gerente do mesmo balcão, dois sócios-gerentes de sociedades arguidas e 13 sociedades comerciais.
  • A arguida negou qualquer envolvimento no plano, afirmando ter atuado apenas com base na confiança na sua superior hierárquica, e que apenas conferia a segunda assinatura aos pedidos de financiamento já despachados pela gerente.
  • A acusação sustenta que a gerente teria delineado o plano para aprovar financiamentos a sociedades sem capacidade para liquidar os empréstimos, com instruções a dois aposentados para constituírem empresas e apresentarem pedidos em nome dessas entidades.
  • O MP afirma que os pedidos continham dados incorretos sobre a finalidade dos financiamentos e a situação económico-financeira das sociedades, levando a um benefício patrimonial de cerca de 800 mil euros; o julgamento continua.

Um antigo subgerente bancário iniciou hoje o julgamento no Tribunal de Aveiro, acusado de integrar um alegado esquema que terá causado um prejuízo de cerca de 800 mil euros ao Montepio. A arguida negou qualquer envolvimento no plano descrito pelo Ministério Público (MP).

Os factos remontam a março de 2018 a maio de 2019, no balcão do Montepio de Esmoriz, no concelho de Ovar. O processo envolve a antiga gerente do mesmo balcão, ausente por motivos de saúde, dois sócios-gerentes e 13 sociedades comerciais. No total, são imputados vários crimes de falsidade informática e burla qualificada.

A arguida afirmou perante o colectivo de juízes que não aderiu ao alegado plano. Garantiu ter atuado com base na confiança na superior hierárquica e que apenas conferia uma segunda assinatura aos pedidos de financiamento já despachados pela gerente. Relatou fragilidade na altura e dificuldades familiares.

A defesa referiu ainda que não sempre verificava presencialmente a atividade das empresas ligadas aos financiamentos, por impedimentos nas deslocações previstas. Segundo o MP, a gerente teria delineado o plano de aprovação de financiamentos sem viabilidade, com a subgerente a aderir.

Envolvidos

O MP sustenta que o esquema envolveu a gerente do balcão, dois aposentados com idades de 68 e 75 anos e várias sociedades. Estes teriam sido instruídos a constituir entidades que apresentavam pedidos de financiamento já com dados não correspondentes à realidade.

A investigação indica que muitos pedidos continham informações falsas sobre a finalidade dos empréstimos e sobre a situação económico-financeira dos sócios-gerentes. A maioria das sociedades não terá exercido atividade comercial.

O MP aponta que o esquema resultou numa vantagem patrimonial de cerca de 800 mil euros, valor que representa o prejuízo alegadamente causado ao Montepio. O julgamento continua, com as próximas alegações a serem apresentadas pelas partes.

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