- O estudo da Faculdade de Medicina da Universidade do Porto identificou oito casos de Candida auris em Portugal em 2023, num hospital da região Norte, com três mortes não atribuídas exclusivamente à infeção.
- Os resultados foram publicados na revista Journal of Fungi em outubro de 2025, reforçando a importância da vigilância hospitalar.
- O fungo transmite-se em instituições de saúde e não comunitariamente, e apresenta resistência a antifúngicos, o que justifica medidas de controlo de infeção.
- Deteção precoce de colonização ou infeção permite intervenção mais eficaz e reduz a transmissão, através de higiene das mãos, desinfeção de superfícies e vigilância laboratorial.
- Em setembro do ano passado, o Centro Europeu de Prevenção e Controlo das Doenças alertou para a rápida propagação em hospitais na UE/EEE, com mais de quatro mil casos desde 2013 e 1.346 casos em 2023.
O estudo da Faculdade de Medicina da Universidade do Porto (FMUP) descreve os primeiros casos confirmados em Portugal de infeção por Candida auris, fungo resistente a medicamentos com impacto na saúde pública. A investigação foi divulgada hoje pela FMUP à Lusa.
Conduzido sob a coordenação de Sofia Costa de Oliveira, o estudo analisa oito casos identificados em 2023 num hospital da região Norte. As autoridades sublinham que as mortes associadas às infeções invasivas estiveram relacionadas com comorbilidades, não exclusivamente com a Candida auris.
O que se sabe sobre o fungo e o contexto
A equipa salienta que a transmissão ocorre principalmente em ambientes clínicos, não na comunidade. A resistência a antifúngos e a persistência em superfícies justificam uma vigilância reforçada em unidades de cuidados de saúde.
A detecção precoce de colonização permite intervenções mais eficaz e reduz a transmissão. Medidas de controlo incluem higiene das mãos, desinfeção de superfícies e vigilância laboratorial.
A pesquisa, publicada na Journal of Fungi em outubro de 2025, junta ainda colaboradores da FMUP, ULS São João, RISE-Health, CESAM e FCUP. O objetivo é compreender melhor a resistência antimicrobiana e orientar respostas em saúde pública.
Contexto europeu e impacto na vigilância
O estudo surge após o alerta do Centro Europeu de Prevenção e Controlo das Doenças (ECDC) sobre a rápida propagação hospitalar. Entre 2013 e 2023, morearam registados mais de 4.000 casos na UE/EEE, com 1.346 em 2023.
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