- PSD, PS, Livre e PCP rejeitaram propostas da Iniciativa Liberal e do PAN para criar uma representação de Portugal em Taiwan, com o CDS a defender a medida.
- As propostas alertam para dificuldades de cerca de 300 portugueses em Taiwan, que hoje precisam deslocar-se a Macau para assuntos administrativos, sugerindo a transferência para a embaixada de Tóquio.
- Propõem ainda abrir um escritório de representação de Portugal em Taipé para promover relações económicas e culturais.
- O debate incluiu também propostas do Bloco de Esquerda para manter uma política estável dentro das relações com Taiwan e um parecer do Chega sobre mediação entre Pequim e Taipé.
- As iniciativas vão a votos no plenário na próxima sexta-feira.
O PSD, o PS, o Livre e o PCP rejeitaram, na reunião desta quarta-feira, propostas da Iniciativa Liberal (IL) e do PAN para abrir uma representação portuguesa em Taiwan, defendida pelo CDS. Os sociais-democratas alertaram para riscos de medidas vistas por Pequim como hostis.
As propostas apresentadas pela IL e pelo PAN visam reforçar as relações de Portugal com Taiwan, incluindo a criação de um escritório de representação em Taipé. Apontam ainda para facilitar a vida de cerca de 300 cidadãos portugueses em Taiwan, que atualmente recorrem ao consulado de Macau para assuntos administrativos, propondo a transferência para a embaixada de Tóquio.
> ### Continuidade das respostas oficiais
Durante o debate, o Bloco de Esquerda apresentou uma solução de diplomacia econômica e cultural com Taiwan, enquanto o Chega incentivou o Governo a mediar a descompressão de tensões entre Pequim e Taipé. O PSD destacou que há fortes ligações com Pequim e defendeu salvaguardar interesses de cidadãos em Macau e Hong Kong.
O PSD, representado por José Cesário, criticou a posição da IL e do PAN, afirmando que pode soar hostil perante a China e comprometer relações económicas. O deputado acrescentou que é necessário proteger os cerca de 130 mil portugueses em Macau e Hong Kong. Cesário sublinhou a continuidade da política externa com Pequim.
Pelo PS, Catarina Louro lembrou a política de “uma só China” e afirmou que mudanças abruptas podem destabilizar a diplomacia portuguesa. A socialista disse que alterações simbólicas devem ser cuidadosamente avaliadas para evitar interpretações de rivalidade entre potências.
A deputada do PAN, Inês Sousa Real, acusou o Governo de negligência institucional e pediu que Portugal não ignore uma democracia. Patrícia Gonçalves, do Livre, sugeriu uma comissão eventual para acompanhar os assuntos de Macau, para uma atuação mais informada.
O debate mostrou dúvidas entre a coligação que sustenta o Executivo, com divergências entre IL, PAN e os restantes partidos. João Almeida, do CDS, defendeu que vários países mantém representações em Taipé dentro da lógica de uma China única.
O Chega reforçou a importância histórica de Portugal no Extremo Oriente, defendendo a aprovação das propostas para promover diálogo estável e coordenado com aliados. Fabian Figueiredo, do BE, defendeu a legalidade democrática no âmbito de relações com Taiwan.
O PCP reiterou que Taiwan é parte inalienável da China e associou as propostas a pressões dos EUA. Filipe Sousa, do JPP, votou a favor, afirmando que Portugal deve ser um ator pragmático na diplomacia económica global.
As propostas vão a votação no plenário da Assembleia da República na próxima sexta-feira, para decidir se Portugal abre ou não uma representação em Taipé e se avança com potenciais evoluções administrativas associadas.
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