- Aldeia de Casal Diz, em Penalva do Castelo, enfrenta despovoamento e envelhecimento acentuados, com casas degradadas e falta de água, luz e serviços básicos.
- Chegaram recentemente dois jovens adolescentes; há emigração contínua de Portugal e da Suíça, mas também regresso de algumas pessoas para manter a aldeia viva.
- Moradores idosos enfrentam condições difíceis, com falta de eletricidade, água e habitação adequada; as escolas locais fecharam devido à ausência de crianças.
- Investigadora Francesca Poggi descreve a aldeia como um caso único, com resistência cultural a certos serviços e com pobreza que impede o desenvolvimento; discutem-se candidaturas a turismo e repovoamento.
- Carlos, vendedor ambulante, mantém-se como ponte com o exterior, levando bens essenciais e notícias; debates continuam sobre candidaturas ao Portugal 2030 para recuperar casas devolutas e criar alojamento local.
Aldeia de Casal Diz, em Penalva do Castelo, enfrenta despovoamento acentuado, envelhecimento da população e degradação de casas. Há ausência de água e luz em várias habitações, poucos serviços e uma memória viva de atividades de outrora que não consegue acompanhar a atualidade. A vida segue num compasso de silêncio.
A chegada de dois jovens adolescentes à povoação traz, de forma pontual, um sopro de juventude. Mantêm ligações com Portugal e com a Suíça, onde nasceram, e trabalham para conhecer as raízes do lugar. Ao mesmo tempo, circulam relatos de emigração contínua e de retornos intermitentes para manter a aldeia viva.
A freguesia de Pindo, no concelho de Penalva do Castelo, fica entre vales e vinhas. Ainda assim, o tempo parece deter-se ali, com rotinas antigas a persistirem. O toque das seis da manhã, com as badaladas da igreja de São Simão, marca o início do dia.
Mudanças em curso
Na Rua da Saudade, o vazio substitui as conversas diárias que outrora animavam a zona. Vizinhos de há décadas partiram para procurar oportunidades de trabalho ou estudo, deixando a aldeia com menos habitantes e menos atividades.
A investigadora Francesca Poggi, da Nova de Lisboa, descreve Casal Diz como um caso particular no interior do país: há uma atração pelas cidades, mas também uma resistência cultural ao uso de serviços públicos. A pobreza associada às infraestruturas acrescenta dificuldade à fixes.
Patrocínia da Silva Nunes, 88 anos, vive com apoio dos filhos que residem fora. A casa sofre com o peso do tempo, e as deslocações à saúde ou exames envolvem custos significativos. Ainda assim, a vida permanece em parte na memória das antigas rotinas.
Entre histórias de perda e resistência, surgem pequenas ações de qualidade de vida. Isabel Silva, filha de Patrocínia, chegou a alcançar uma posição profissional em Lisboa, regressando para manter laços com a aldeia. A vida em Casal Diz mistura lembranças, saudades e oportunidades limitadas.
Perspetivas de revitalização
Sérgio Macário, presidente da Junta de Freguesia, aponta que as políticas públicas têm sido escassas para zonas rurais. Estão em estudo candidaturas ao Portugal 2030 para recuperar casas devolutas e fomentar alojamento local, mas a recuperação depende da mobilização comunitária e de incentivos estáveis.
O funcionamento de transportes públicos continua insuficiente para atrair famílias ou jovens. A escola mais próxima funciona apenas em Roriz e na Corga, e o apoio a crianças é hoje reduzido. A única exceção é a presença de uma pizzaria local, enquanto a mercearia tradicional encerrou.
No fim do dia, a paisagem continua a ser marcada por campos de vinha e por casas que resistem ao tempo. Carlos, vendedor ambulante, mantém-se como ponte para o exterior, levando bens essenciais e partilhando notícias com a comunidade, à medida que a aldeia adormece.
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