- Em 2020, Carlos Folgoso Sueiro regressou à Galiza após o falecimento do pai e uma quadriénula de saúde ajudou a moldar o seu novo percurso fotográfico.
- O projeto Alén do Lago nasceu durante o confinamento, quando o fotógrafo, acamado, começou a fotografar em casa com uma câmara analógica, desenvolvendo uma linguagem mais introspectiva.
- A obra bebe de referências de Tarkovsky, Rembrandt e Francis Bacon, apresentando um registo sereno, contemplativo e, às vezes, melancólico, que evoluiu com a melhoria da saúde e a exploração de novos cenários.
- Em 2024, o projeto venceu o XII Prémio Galiza de Fotografia Contemporânea e esteve em exposição no Theatro Circo, em Braga, integrado no festival Encontros da Imagem; em 2025, ganhou proeminência internacional com exposições em São Petersburgo, Londres e Nova Iorque.
- Em Dezembro, abre na Galiza uma exposição individual em Verín; o projeto mantém-se em desenvolvimento, com conclusão prevista para 2027 ou 2028, explorando a Galícia, a família e temas de abandono e emigração.
Carlos Folgoso Sueiro, fotógrafo galego nascido em Verín em 1982, passou por 2020 a transformar a sua prática. Retornou à Galiza após a morte do pai e cuidados aos avós, dois idosos na casa dos 90 anos, que ficaram sem assistência.
Durante esse ano, uma lesão na coluna obrigou-o a interromper a fotografia de campo e a passar longos períodos na cama. Só então começou a fotografar o que via à sua volta, comprando uma câmara analógica e iniciando o projeto Alén do Lago, ainda sem título definitivo.
O projeto, que teve início dentro de casa, venceu o XII Prémio Galiza de Fotografia Contemporânea em 2024. Em entrevista, Folgoso Sueiro explicou que a saúde influenciou não apenas o ritmo, mas a forma de ver o mundo e a sua linguagem artística.
A evolução criativa
Com a melhoria da recuperação em 2022, o fotógrafo passou a procurar novos cenários, incluindo o monte e símbolos de uma Galiza em mudança. A obra mistura memória familiar, tradição e temas sociais, como o despovoamento e o álcool entre gerações.
A influência de Tarkovsky é marcante no Alén do Lago, com planos longos e uma estética contemplativa. Referências a Rembrandt e Francis Bacon também surgem, revelando uma visão híbrida entre documentário e expressão pessoal.
O projeto é descrito como uma busca entre realidade e mito, passado e presente. Folgoso Sueiro revela que a intimidade da família, especialmente a avó falecida em 2022, moldou imagens-chave, como o retrato de uma avó no caixão.
Exposições e perspetivas futuras
Em 2025, Alén do Lago integrou exibições no Museu Hermitage (São Petersburgo) e no Somerset House (Londres), além de projetos em Nova Iorque. Em Dezembro, abre na Galiza, em Verín, uma exposição individual com o mesmo trabalho.
O fotógrafo aponta que o projeto deverá ser concluído entre 2027 e 2028. Enquanto isso, mantém a pesquisa em curso, com imagens que exploram comunidades isoladas, vida rural e memórias familiares, mantendo a Galiza como eixo central.
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