- Equipa em Portugal identificou a bactéria Klebsiella sp. ARO112, que ajuda a recuperar a microbiota e a reduzir a inflamação intestinal em ratinhos.
- ARO112 coloniza mais em microbiotas desequilibradas, bloqueia patógenos como Salmonella e Escherichia coli patogénica e acelera a recuperação após antibióticos.
- Demonstração de segurança: presença temporária no intestino, sem formação de biofilmes e sem aquisição estável de resistência a antibióticos; próximos passos incluem testes em células de tecido intestinal humano.
- Em comparação com o probiótico E. coli Nissle 1917, a ARO112 não mostrou efeito protetor nos ratinhos; estudos futuros irão avaliar o desempenho em humanos.
- A pesquisa sugere potencial uso terapêutico de probióticos ajustados a situações clínicas específicas, como alternativa ao transplante de microbiota fecal; estudo publicado na Nature Communications pelo Instituto Gulbenkian de Medicina Molecular.
Uma equipa de cientistas em Portugal identificou uma bactéria designada Klebsiella sp. ARO112, descoberta acidentalmente durante o estudo de uma molécula química. O trabalho foi conduzido no Instituto Gulbenkian de Medicina Molecular.
Em ratinhos, a bactéria mostrou ser inofensiva e potencialmente benéfica para a microbiota intestinal, ajudando a recuperar o equilíbrio após antibióticos e infecções. A descoberta também evidenciou que a ARO112 pode bloquear patógenos como Salmonella e E. coli patogênica, reduzindo inflamação.
Os autores indicam que a ARO112 coloniza mais facilmente microbiotas desequilibradas e que a presença é temporária, desaparecendo conforme a microbiota se regenera. A equipa pretende testar a bactéria em células de tecido intestinal humano para confirmar os resultados.
Perspetivas e próximos passos
A equipa liderada por Karina Xavier explica que a colonização em humanos ainda não está comprovada e depende de avaliações adicionais. O estudo compara a atuação da ARO112 com o probiótico E coli Nissle 1917, que não apresentou efeito protetor nos ratinhos.
A RIO112 já demonstrou segurança no laboratório: não forma biofilmes nem adquire resistência a antibióticos de forma estável. A equipa ressalva a necessidade de mais provas para entender a prevalência da estirpe e a relação com níveis de inflamação em humanos.
A investigação, publicada na Nature Communications, mantém o foco em probióticos terapêuticos sob medida para situações clínicas específicas. Os cientistas destacam que a bactéria poderia, no futuro, acompanhar antibióticos para preservar ou restabelecer a microbiota.
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