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MAI abre processos disciplinares a polícias suspeitos de explorar imigrantes

Ministra determina onze processos disciplinares à IGAI contra dez militares da GNR e um agente da PSP no âmbito de Safra Justa; detidos libertos regressam ao serviço

A ministra da Administração Interna, Maria Lúcia Amaral. FOTO: MANUEL DE ALMEIDA/Lusa
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  • A ministra da Administração Interna determinou a abertura de onze processos disciplinares, a cargo da Inspeção-Geral da Administração Interna, aos dez militares da GNR e a um agente da PSP envolvidos na operação Safra Justa, com envio de elementos ao Ministério Público para eventual aplicação de medidas cautelares.
  • A operação resultou na detenção de 17 pessoas: dez militares da GNR, um agente da PSP e seis civis; três civis ficaram em prisão preventiva, os restantes com medidas diversas.
  • Os 10 militares da GNR e o agente da PSP foram libertados e regressaram ao serviço, com a GNR a aguardar a possível aplicação de medidas disciplinares.
  • A libertação ocorreu porque as escutas telefónicas usadas não transcritas pelo Ministério Público não podiam fundamentar as medidas de coação.
  • A organização criminosa desmantelada controlava cerca de 500 trabalhadores estrangeiros no Alentejo; entre os detidos há um cabo-chair entre os portugueses, e dois estrangeiros recrutavam as vítimas.

A operação policial Safra Justa, realizada pela Polícia Judiciária, resultou na detenção de 17 pessoas por suspeita de exploração de imigrantes no Alentejo. Entre os detidos estavam 10 militares da GNR, 1 agente da PSP e 6 civis. Três civis ficaram em prisão preventiva, enquanto os restantes civis ficaram com medidas de apresentação periódica e interdição de contactar com as vítimas.

A ministra da Administração Interna determinou a abertura de processos disciplinares a cargo da IGAI para 11 arguidos, incluindo os 10 militares da GNR e o agente da PSP. O Ministério da Administração Interna indicou que a IGAI já solicitou ao MP a remessa de elementos do inquérito ao DCIA e que vão ser analisados para aferir a necessidade de medidas cautelares adicionais.

Segundo o MAI, a IGAI pediu ao MP elementos do inquérito para avaliação por parte da instituição, que poderá decidir sobre medidas cautelares futuras. Os 10 militares da GNR e o agente da PSP saíram em liberdade e regressaram ao serviço, aguardando a definição de eventuais sanções disciplinares. O PSP mantém baixa médica desde setembro de 2024.

Contexto do caso

A PJ revelou que a rede desmantelada controlava cerca de 500 trabalhadores estrangeiros no Alentejo. Nem todos são considerados vítimas de tráfico. No grupo de civis detidos, quatro são nacionais, dois são estrangeiros do sul da Ásia, que angariavam e ameaçavam as vítimas. Entre os portugueses estaria identificada a figura de cabeça da organização, com outros membros a funcionar como apoio.

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