- Governo promete tutor de IA para cada aluno; críticas apontam falta de wifi, orçamento sem verbas e diretrizes para reduzir o tempo de tela.
- Missão Escola Pública afirma que é contra-senso num país com escolas sem rede funcional, orçamento sem verba e recomendações que pedem menos tempo de exposição aos ecrãs.
- Relatórios nacionais sobre o nono ano e as provas Moda revelam escola a duas velocidades: Norte e zonas com professores estáveis têm melhor desempenho; Sul e zonas carenciadas enfrentam falta de docentes.
- Dados das provas Moda mostram diferenças entre escolas públicas e privadas, e entre beneficiários de Ação Social Escolar (ASE) e não ASE, com menos recursos associando-se a menor proficiência.
- Movimento sustenta que não falta IA nas escolas, falta gente — professores, psicólogos, terapeutas e assistentes operacionais — e pede melhoria do Estatuto da Carreira Docente e condições de trabalho.
O Governo prometeu um tutor de Inteligência Artificial para cada aluno. O movimento Missão Escola Pública reagiu, considerando o anúncio um contrassenso num país com Wi-Fi insuficiente nas escolas e sem verba no Orçamento para a iniciativa, contrariamente a anos anteriores. Regras nacionais e internacionais que pedem redução do tempo de tela também são mencionadas.
A reação ocorreu após a divulgação dos resultados do 9.º ano e das provas Moda, com críticas à desigualdade regional. Observa-se que o Norte e zonas com professores mais estáveis obtêm melhores notas, enquanto o Sul e regiões carenciadas continuam a enfrentar défices de docentes.
Nas provas Moda, Alentejo, Algarve, Península de Setúbal e Açores registam médias mais baixas, e as regiões do Norte, Centro e Madeira apresentam médias mais altas. Dificuldades persistem em competências complexas como produção de textos, resolução de problemas e raciocínio.
Diferenças entre escolas públicas e privadas também se mantêm, com vantagem para as privadas. Nos resultados do 4.º ano, são visíveis desvios entre alunos beneficiários de Ação Social Escolar e outros, com níveis de proficiência inferiores para os primeiros.
O movimento afirma que não é a falta de IA que impede o progresso, mas a escassez de professores, psicólogos, terapeutas e assistentes operacionais. O Ministério da Educação é visto como falhando em condições de trabalho e estabilidade profissional.
As críticas destacam que o Governo ignora aquilo que é essencial para a educação, aprofundando desigualdades e associando o código postal à qualidade educativa. O grupo exige medidas para inverter os resultados.
Exige-se, ainda, que a carreira docente se torne verdadeiramente atrativa, apontando que o protocolo negocial para o Estatuto da Carreira Docente não traduz uma negociação séria, atempada e eficaz, conforme o movimento.
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