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Isabel dos Santos afirma que tribunal mostra interesses de Angola acima dos pessoais

Isabel dos Santos afirma que a Relação confirmou a legalidade da compra da Efacec em 2015, argumentando que a falta de indemnização impede reembolsos

Isabel dos Santos defende que Relação confirma legalidade da compra da Efacec, em 2015 (na foto, momento da inauguração da nova fábrica, em Fevereiro de 2018)
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  • A Relação de Lisboa manteve que a compra da Efacec, em 2015, foi financiada por crédito bancário privado, não com dinheiro público angolano.
  • Isabel dos Santos afirmou que o acórdão demonstra integridade, transparência e que colocou os interesses de Angola acima de interesses pessoais, defendendo que não houve uso de fundos públicos.
  • O processo envolveu o BCP e o Novo Banco, que tentavam usar 17 milhões de euros de um valor obtido com a venda do Eurobic para saldar dívidas de outras sociedades da empresária.
  • Em julho de 2020, a Efacec foi nacionalizada pelo Governo de Portugal para assegurar a continuidade da empresa, sem que tenham sido atribuídas indemnizações aos acionistas.
  • A investidora sustenta que a falta de indemnização impede o reembolso de financiamentos, enquanto os bancos continuam com ações judiciais para tentar cobrar dívidas, sem sucesso até ao momento.

Os bancos portugueses seguem sem conseguir alcançar o património das empresas de Isabel dos Santos para cobrir dívidas associadas a operações ligadas à sua rede empresarial. A Relação de Lisboa travou recentemente um mecanismo de cobrança no âmbito de processos movidos pelo BCP e pelo Novo Banco.

A investidora angolana afirma que a sentença demonstra que a banca conhecia a estrutura societária aquando dos financiamentos e que não houve financiamento com fundos públicos na aquisição da Efacec, em 2015. O acórdão, de 12 de Maio, foi interpretado como favorável aos seus argumentos.

Segundo Isabel dos Santos, a decisão confirma integridade, transparência e responsabilidade na gestão das empresas, destacando que não houve uso de verbas públicas angolanas para financiar a operação da Efacec. A administradora acrescenta que os créditos permanecem sob a jurisdição dos tribunais.

Contexto da decisão e implicações

O processo envolve 17 milhões de euros alegadamente arrestados em duas empresas da empresária para saldar dívidas de outras sociedades associadas à compra da Efacec. A compra foi realizada em 2015, antes da nacionalização da Efacec, ocorrida em 2020.

A nacionalização, decidida pelo Governo de António Costa, visou manter a continuidade da empresa, sem que fosse atribuída indemnização aos acionistas. Os bancos reclamam o reembolso de créditos, mas o acórdão não reconhece a desconsideração da personalidade jurídica até ao momento.

A fundamentação da Relação de Lisboa sustenta que as estruturas societárias eram de conhecimento público na altura dos financiamentos, não configurando, por si, violação de boa-fé ou fraude. Ainda assim, a intervenção das autoridades angolanas permanece sob escrutínio em vários casos.

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