- O relatório OECD Economic Surveys: Portugal 2026 indica que a produtividade do trabalho em Portugal está cerca de 17% abaixo da média da OCDE.
- Uma parte significativa do emprego empresarial está concentrada em microempresas (até nove trabalhadores), que representam 39% do emprego total, e em empresas até quarenta trabalhadores, onde a percentagem é de 60%.
- Em estruturas frágeis, a gestão é muitas vezes absorvida pela operação, com menos tempo para pensar, investir e rever processos.
- A OCDE recomenda profissionalização da gestão, melhor controlo de tesouraria, metas operacionais claras e apoio externo qualificado, bem como acesso a crédito de médio prazo e garantias.
- O foco é reduzir o custo real de arriscar, libertar caixa e devolver previsibilidade à gestão, para permitir crescimento, maior produtividade e prosperidade.
Portugal: o tecido empresarial continua a evitar o risco na gestão, tratando-o como fator de contenção em vez de alavanca de crescimento. A produtividade permanece abaixo da média OCDE, elevando a fragilidade estrutural das empresas.
Segundo o relatório OECD Economic Surveys: Portugal 2026, a produtividade do trabalho está cerca de 17% abaixo da média da OCDE. As microempresas respondem por 39% do emprego empresarial, e as empresas com até 50 trabalhadores somam 60%.
Este cenário explica por que a gestão muitas vezes fica ligada à operação, com menos tempo para pensar, errar ou investir. A profissionalização em gestão é, assim, menos frequente, o que reduz a visibilidade de estratégias de longo prazo.
Desafios do tecido empresarial
Para muitas pequenas e médias empresas, o crescimento não passa apenas por abrir capital. Exige melhoria de controlo de gestão, tesouraria mais disciplinada e metas operacionais claras. O apoio externo qualificado também é fundamental.
Além disso, é essencial reduzir o custo real de arriscar, com acesso a crédito de médio prazo, garantias e financiamento de equipamento. Linhas de investimento devem acompanhar uma maior previsibilidade na gestão.
Caminhos para o crescimento
A OCDE destaca ainda a necessidade de libertar caixa rapidamente, devolvendo previsibilidade aos gestores. Sem esse impulso, muitas empresas continuam a valorizar um presente estável em detrimento de um futuro com maior risco e potencial de escala.
Dada a dominância das micro e pequenas estruturas, o desafio é equilibrar gestão profissional com liquidez suficiente para testar mudanças organizacionais e inovações. O objetivo é tornar o risco uma alavanca, não uma ameaça.
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