O conhecimento financeiro está a quebrar barreiras num mercado historicamente dominado por homens. Portugal ocupa o 13º lugar entre 39 países na literacia financeira, com uma pontuação de 63,4, acima da média da OCDE, esbarrando ainda com obstáculos culturais.
A trajetória de Bárbara Barroso ilustra a jornada de resistência. Na faculdade, o diário económico acompanhava-a, e aos 22 anos conheceu um trader espanhol que abriu portas para os investimentos. Perdeu recursos com estratégias alavancadas, o que motivou a formação em literacia financeira.
Barroso, hoje CEO do MoneyLab, revela uma discriminação persistente: o investimento é descrito com linguagem masculina, o que afasta muitas mulheres. Relata ainda ter recebido uma proposta de trabalho recusada por estar grávida de três meses.
Carolina Campos Dias, advogada especializada em Direito Fiscal, aponta que a evolução institucional existe, mas o eixo continua masculinizado. A sobrecarga doméstica reduz disponibilidade para pensar em investimentos de forma estruturada, aumentando o fosso de confiança.
Um estudo da Mastercard aponta que 36% das mulheres portuguesas dedicam menos tempo à gestão financeira por várias obrigações, e 18% citam a falta de confiança, o dobro da taxa nos homens. O cenário reforça barreiras à participação feminina.
Rita Piçarra, reformada aos 44 anos, exemplifica mudanças positivas mas ainda assim dificuldades. A trajetória mostra a importância de a comunicação não favorecer estereótipos masculinos, evitando que mensagens atraiam apenas o público masculino.
Piçarra cresceu na Serra das Minas e tornou-se numa das primeiras da família a alcançar ensino superior. Diz que investimentos são mais complexos que o orçamento familiar e que o papel das mulheres na gestão financeira ainda é subvalorizado.
Apesar disso, observa-se um aumento de interesse nas últimas três décadas. Para as investidoras, a literacia financeira é vista como ferramenta de empoderamento e autonomia. O lema comum é claro: o dinheiro não tem género.
Entre na conversa da comunidade