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Investimentos não têm género: mulheres defendem igualdade no mercado financeiro

A literacia financeira em Portugal avança, desmantelando barreiras de género no mercado de capitais, mas persiste discriminação e falta de acesso para muitas investidoras

Bárbara Barroso
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  • Portugal ocupa o 13.º lugar, entre 39 países, no índice de literacia financeira, com 63,4 pontos, acima da média da OCDE (62,7).
  • Bárbara Barroso, atual CEO do MoneyLab, descreve a sua entrada no mercado financeiro na faculdade e a aprendizagem através de investimentos alavancados que resultaram numa perda significativa, levando-a a aprofundar a literacia financeira.
  • A matéria aponta discriminação de género na área de investimento, com a narrativa do investir ainda associada a um imaginário masculino, o que afasta algumas mulheres.
  • Casos reais são citados, incluindo uma mulher grávida que perdeu uma proposta de emprego de topo por estar em gravidez gestacional, e outra tentativa de contratação perto do final da gravidez.
  • Um estudo da Mastercard indica que 36% das mulheres portuguesas sentem dedicar menos tempo à gestão financeira, e 18% apontam falta de confiança como entrave, o dobro do que ocorre entre os homens (8%).
  • No conjunto, as investidoras destacam que “dinheiro não tem género” e que há uma evolução, com mais mulheres em posições relevantes, embora persista o fosso de confiança e de acessos.

O conhecimento financeiro está a quebrar barreiras num mercado historicamente dominado por homens. Portugal ocupa o 13º lugar entre 39 países na literacia financeira, com uma pontuação de 63,4, acima da média da OCDE, esbarrando ainda com obstáculos culturais.

A trajetória de Bárbara Barroso ilustra a jornada de resistência. Na faculdade, o diário económico acompanhava-a, e aos 22 anos conheceu um trader espanhol que abriu portas para os investimentos. Perdeu recursos com estratégias alavancadas, o que motivou a formação em literacia financeira.

Barroso, hoje CEO do MoneyLab, revela uma discriminação persistente: o investimento é descrito com linguagem masculina, o que afasta muitas mulheres. Relata ainda ter recebido uma proposta de trabalho recusada por estar grávida de três meses.

Carolina Campos Dias, advogada especializada em Direito Fiscal, aponta que a evolução institucional existe, mas o eixo continua masculinizado. A sobrecarga doméstica reduz disponibilidade para pensar em investimentos de forma estruturada, aumentando o fosso de confiança.

Um estudo da Mastercard aponta que 36% das mulheres portuguesas dedicam menos tempo à gestão financeira por várias obrigações, e 18% citam a falta de confiança, o dobro da taxa nos homens. O cenário reforça barreiras à participação feminina.

Rita Piçarra, reformada aos 44 anos, exemplifica mudanças positivas mas ainda assim dificuldades. A trajetória mostra a importância de a comunicação não favorecer estereótipos masculinos, evitando que mensagens atraiam apenas o público masculino.

Piçarra cresceu na Serra das Minas e tornou-se numa das primeiras da família a alcançar ensino superior. Diz que investimentos são mais complexos que o orçamento familiar e que o papel das mulheres na gestão financeira ainda é subvalorizado.

Apesar disso, observa-se um aumento de interesse nas últimas três décadas. Para as investidoras, a literacia financeira é vista como ferramenta de empoderamento e autonomia. O lema comum é claro: o dinheiro não tem género.

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