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Taínos jíbaros também dançam na Casita de Bad Bunny

Casita de Bad Bunny inspira debate sobre identidade boricua e o papel das mulheres no concerto, em meio a polémica sobre objetificação

Uma casa de Humacao, a localidade que serviu de inspiração para a Casita original de «Debí tirar más fotos», o último projeto do porto-riquenho Bad Bunny
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  • A digressão de Bad Bunny apresenta a “Casita” como parte de um momento no espetáculo que suscita debate público sobre a objetificação de mulheres, com vozes que apoiam e criticam o formato e o foco no público feminino.
  • A casa da digressão inspira-se na arquitetura de Humacao, cidade leste de Porto Rico associada à resistência anticolonial, e mistura referências taínas, espanholas, afro-caribenhas e norte-americanas.
  • Humacao tornou-se um símbolo da identidade boricua, com história ligada à colonização, à escravatura e à transição para domínio norte-americano em setiembre de mil oitocentos noventa e oito.
  • A Casita baseia-se numa casa de Humacao e, na digressão, recorre a elementos de Levittown, Toa Baja, associando fusões de heranças locais e de comunidades americanas setentrionais.
  • Bad Bunny continua a digressão por Espanha e pela Europa até meados de julho, mantendo a linha temática de identidade, história e resistência no seu projeto cenográfico.

A digressão de Bad Bunny, com o segmento da Casita, volta a levantar questões sobre identidade e patrimônio em torno de Humacao, cidade leste de Porto Rico. O projeto insere-se na digressão mundial de «Devía tirar más fotos», envolvendo figuras públicas que dançam em direto perante câmaras. A controvérsia centraliza-se na objetificação potencial de mulheres presentes na apresentação.

A polémica envolve críticas de feministas conservadoras, como Paula Fraga, e defesas de jornalistas como Ana Requena e Alejandra Martínez. O debate entra pela lente das contradições do feminismo e do papel das mulheres no género musical, ainda associado ao reggaeton e à visibilidade mediática durante os concertos.

No centro, está a própria construção apresentada pela digressão, que carrega um forte componente reivindicativo ligada à identidade boricua. A Casita, tal como a banda a descreve, remete para a história de Porto Rico enquanto ilha associada aos Estados Unidos e às suas consequências políticas e sociais.

A Casa inspiradora situa-se em Humacao, onde a arquitetura local reflete uma resistência histórica. A origem da construção remonta à relação entre taínos, afro-caribenhos e colonização europeia, com influências do neoclassicismo europeu a partir do século XIX, impulsionadas pelo comércio açucareiro.

Segundo a Architecture Digest, a Casita baseia-se numa casa real de Humacao, ligada a uma narrativa que cruza a herança taína, a diáspora e a escravatura, até à transição administrativa de 1898 para os Estados Unidos. A referência histórica está presente no conceito criativo e na estética do cenário da digressão.

A equipa criativa de Mayna Magruder Ortiz usou a narrativa de Humacao para reinventar a moradia expressiva da Casita. A construção, liderada por Rafael Pérez, evoca uma habitação de Levittown, Toa Baja, integrando elementos de residência branca de expatriados norte-americanos da década de 1950, numa fusão com arte e cultura locais.

Entre as referências artísticas, a decoração interior cita obras de artistas boricuas como Lorenzo Homar e Alexis Díaz, reforçando a ligação entre a produção local e a temática identitária. Bad Bunny mantém a digressão pela Europa até meados de julho, em continuidade com a tradição anticolonial associada a artistas portorriquenhos.

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