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Morre José Luís Tinoco

Morreu aos 93 anos o multifacetado artista José Luís Tinoco, cuja obra cruzou música, pintura e arquitetura, deixando marca na cultura portuguesa

José Luís Tinoco
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  • Morreu em Lisboa, aos 93 anos, o compositor, pianista, arquiteto e artista José Luís Tinoco.
  • Destacou-se no Hot Clube de Portugal e ficou conhecido por canções como “No teu poema”, “Madrugada” e “Um homem na cidade”, além de ter trabalhado no jazz e em bandas sonoras para teatro e cinema.
  • Foi também um prolifico artista plástico, ilustrador e designer, com contributos em arquitetura, cenografia, ensino e curadorias, incluindo o projeto do bairro do Rego, em Lisboa.
  • Nascido em Leiria a 27 de dezembro de 1932, Tinoco publicou obras literárias e pintou extensamente, com exposições e retrospetivas ao longo da carreira.
  • Recebeu o Prémio de Consagração de Carreira da Sociedade Portuguesa de Autores em 2014 e, em 2021, teve um documentário sobre a vida e obra; em 2022 foi homenageado em Leiria.

José Luís Tinoco morreu na noite de quarta-feira, em Lisboa, aos 93 anos. O anúncio foi feito à Lusa pela família. O legado assume-se multifacético: compositor, pianista, pintor e arquiteto de várias formas de expressão artística.

Ao longo da vida, Tinoco foi uma presença marcante no jazz português e na música de canção. Criou peças como “No teu poema”, “Um homem na cidade” e “Madrugada” e integrou as primeiras formações do Hot Clube de Portugal. Destacou-se pela abordagem única, reconhecida por intérpretes como Bernardo Sassetti, Mário Laginha e Carlos do Carmo.

Concebendo também obras para teatro, ópera e dança, o artista reuniu ainda atividades em arquitetura, ilustração, cartoon, fotografia e design gráfico. Mobiliário, capas de livros e até emissões filatélicas dos CTT foram parte do seu espólio criativo.

Tinoco nasceu em Leiria, a 27 de dezembro de 1932, num contexto cultural privilegiado. Filho de um reitor e pianista, revelou cedo talento para a música, influenciado por Glenn Miller, Bill Evans e Maurice Ravel. Mudou-se para o Porto para estudar Arquitetura, mantendo a prática musical.

Na década de 1960, participou ativamente no cenário do jazz em Lisboa, usando o Hot Clube como palco e laboratório. Colaborou com músicos de referência e produziu trabalhos que misturavam canção, jazz e experimentalismo, sempre com uma linguagem pessoal.

Ao longo do tempo, o trabalho de Tinoco cruzou música de composição, improvisação jazzística e banda sonora para cinema, teatro e televisão. Em 1975 venceu o Festival da Canção com Madrugada, letra de Yvette Centeno, interpretada por Duarte Mendes, em referência à queda da ditadura.

Na pintura, Tinoco transitou entre neorrealismo e abstração, explorando a figura humana, o quotidiano e a multiplicidade de perspetivas. Em 1986, realizou uma retrospetiva na Gulbenkian e, nos anos seguintes, consolidou séries como Jardins, Passagens e Figurações.

A trajetória incluiu retrospectivas em diversas instituições, como a SNBA, o Palácio Galveias e o Centro Cultural de Cascais. Em 2014 recebeu o Prémio de Consagração de Carreira da Sociedade Portuguesa de Autores.

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