- Rosalía prepara-se para atuar em Lisboa nesta quarta-feira, enquanto o simbolismo religioso se impõe no palco e na moda.
- A iconografia religiosa tem raízes que vão desde a Idade Média até à alta-costura de Balenciaga e Jean Paul Gaultier.
- Fanáticos aparecem à porta dos locais de concerto, com quem veste habitos monásticos reinterpretados, véus e acessórios como cruzes, além de demonstrarem desenhos no cabelo.
- O fenómeno é visto como parte de uma evolução histórica da moda, que sempre recorreu a símbolos religiosos para explorar a religiosidade e o sagrado.
- Especialistas ouvidos pelo Público destacam que o sucesso do álbum está ligado, segundo a historiadora Anabela Becho, à fé na humanidade que, segundo ela, é necessária.
Rosalía prepara-se para um concerto em Lisboa, onde a aplicação de iconografia religiosa no palco tem gerado leitura sobre fé, vestuário e simbolismo. A artista utiliza referências que cruzam música, imagem e espiritualidade, num espetáculo que promete marcar presença na cidade.
Ao longo da história da moda, elementos religiosos já passaram da liturgia para a alta-costura, desde a Idade Média até Balenciaga e Jean Paul Gaultier no século XX. A relação entre fé e vestuário tem sido tema constante de evolução e reinterpretação.
Durante as apresentações, os fãs aparecem à porta dos espaços culturais com vestuário que alude a hábitos monásticos, véus e crucifixos. Outros optam por acessórios que evocam símbolos celestes, ou desenhos no cabelo que remetem a arcos angelicais. A leitura é de que o simbolismo pode reflectir desejos de luz.
Especialistas ouvidos pelo PÚBLICO lembram que a fusão entre moda e religião não é novidade, mas ganha nova expressão na música contemporânea. A análise aponta que o momento atual também responde a uma procura de sentido humano, num contexto global de incertezas.
Contexto histórico da iconografia religiosa
A relação entre fé e moda é apresentada como uma influência antiga que persiste. A partir da Idade Média, o vestuário assumiu códigos simbólicos que foram reinterpretados ao longo do tempo. Na alta-costura, referências religiosas continuam a surgir, com leituras diversas.
A obra de Rosalía é colocada no eixo dessa tradição de appropriação simbólica. A apresentação em Lisboa surge como ponto de observação de como os símbolos religiosos podem coexistir com a estética pop e a nova expressividade artística.
Profissionais da área consideram que a imagem de palco pode ampliar a relação entre público e performance. A leitura do simbolismo, sublinham, não pretende provocar polémica, mas oferecer leitura visual que complemente a música.
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