- Entre janeiro e 15 de dezembro de 2025, morreram 3.090 pessoas a tentar chegar a Espanha em embarcações precárias saídas de África, incluindo 192 mulheres e 437 menores.
- A maioria das vítimas ocorreu na “rota atlântica” para as ilhas Canárias, com 1.906 mortes até 15 de dezembro, apesar de menos chegadas e tragédias neste percurso.
- A “rota argelina” no Mediterrâneo tornou-se a passagem migratória mais utilizada em 2025, registando 1.037 mortes em 121 tragédias marítimas.
- Este ano houve 303 tragédias com pateras e cayucos, incluindo 70 embarcações que desapareceram sem deixar rasto, envolvendo pessoas de 30 países.
- A Caminando Fronteras aponta falhas na coordenação entre Estados e na ativação de dispositivos de resgate; dados oficiais indicam 32.212 chegadas até 15 de dezembro, menos 44,3% que em 2024, com 17.555 chegadas às Canárias.
Quase 3.100 pessoas morreram este ano a tentar cruzar o Mediterrâneo e o Atlântico em embarcações precárias saídas de África com destino a Espanha, aponta a ONG Caminando Fronteras. O relatório divulgado aponta 3.090 mortes entre janeiro e 15 de dezembro de 2025, com 192 mulheres e 437 crianças entre as vítimas.
A maioria das mortes ocorreu na “rota atlântica” para as Ilhas Canárias, onde se registaram 1.906 óbitos até 15 de dezembro, mesmo com menos chegadas desse tipo de embarcação. A rota argelina no Mediterrâneo tornou-se, em 2025, a mais frequentada, com 1.037 mortes em 121 tragédias.
Rota argelina e condições de resgate
A Caminando Fronteras destaca que a travessia de Argélia para as Baleares, especialmente Ibiza e Formentera, é uma das mais perigosas pela distância e pela dificuldade do percurso. A ONG acusa falta de cooperação entre países e atrasos no ativar de sistemas de procura e resgate, aumentando a vulnerabilidade das pessoas.
O relatório também indica 303 tragédias envolvendo pateras e cayucos este ano, incluindo 70 embarcações que desapareceram sem deixar rasto. Entre as vítimas identificadas há pessoas de 30 países, maioritariamente africanas, mas também de Bangladesh, Paquistão e Síria.
Contexto no território espanhol
A Caminando Fronteras sublinha que, na prática, as Canárias abriram uma nova rota migratória mais longa e perigosa este ano, com origem na Guiné Conacri. O estudo baseia-se em dados oficiais, de associações de migrantes e em testemunhos de comunidades e famílias de desaparecidos.
Dados oficiais do Governo de Espanha indicam que 32.212 pessoas chegaram a território espanhol em barcos precários até 15 de dezembro, menos 44,3% face a 2024. A maior parte das chegadas continua a ocorrer nas Canárias, com 17.555 migrantes em pateras até essa data, menos 60% que em 2024.
Considerações da ONG
A organização observa uma redução global do número de mortes em comparação com 2024, mas afirma que isso não resulta em maior proteção do direito à vida. O uso de embarcações com menos pessoas a bordo fragmenta as estatísticas sem reduzir a letalidade, ao mesmo tempo que aumenta as tentativas de chegada e os episódios mortais.
Helena Maleno, coordenadora da Caminando Fronteras, sublinha que as mortes e desaparecimentos ocorrem num contexto de ativação insuficiente de resgate e de externalização do controlo fronteiriço, com pouca coordenação entre Estados.
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