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3.090 mortos este ano a tentar chegar a Espanha, segundo ONG

Três mil e noventa mortos este ano a tentar chegar a Espanha, maioritariamente na rota atlântica para as ilhas Canárias, enquanto a rota argelina se tornou a mais transitada

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Migrants that were rescued are seen after they were taken to Puerto del Rosario (Fuerteventura), in the Canary Islands, Spain, 13 April 2025, where they were treated by Red Cross personnel. The Maritime Rescue vessel Guardamar Talia rescued a group of 50 people, 45 men, four women, and a minor who called for help from the inflatable boat on which they were trying to reach the Canary Islands. EPA/Carlos de Saa
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  • Entre janeiro e 15 de dezembro de 2025, morreram 3.090 pessoas a tentar chegar a Espanha em embarcações precárias saídas de África, incluindo 192 mulheres e 437 menores.
  • A maioria das vítimas ocorreu na “rota atlântica” para as ilhas Canárias, com 1.906 mortes até 15 de dezembro, apesar de menos chegadas e tragédias neste percurso.
  • A “rota argelina” no Mediterrâneo tornou-se a passagem migratória mais utilizada em 2025, registando 1.037 mortes em 121 tragédias marítimas.
  • Este ano houve 303 tragédias com pateras e cayucos, incluindo 70 embarcações que desapareceram sem deixar rasto, envolvendo pessoas de 30 países.
  • A Caminando Fronteras aponta falhas na coordenação entre Estados e na ativação de dispositivos de resgate; dados oficiais indicam 32.212 chegadas até 15 de dezembro, menos 44,3% que em 2024, com 17.555 chegadas às Canárias.

Quase 3.100 pessoas morreram este ano a tentar cruzar o Mediterrâneo e o Atlântico em embarcações precárias saídas de África com destino a Espanha, aponta a ONG Caminando Fronteras. O relatório divulgado aponta 3.090 mortes entre janeiro e 15 de dezembro de 2025, com 192 mulheres e 437 crianças entre as vítimas.

A maioria das mortes ocorreu na “rota atlântica” para as Ilhas Canárias, onde se registaram 1.906 óbitos até 15 de dezembro, mesmo com menos chegadas desse tipo de embarcação. A rota argelina no Mediterrâneo tornou-se, em 2025, a mais frequentada, com 1.037 mortes em 121 tragédias.

Rota argelina e condições de resgate

A Caminando Fronteras destaca que a travessia de Argélia para as Baleares, especialmente Ibiza e Formentera, é uma das mais perigosas pela distância e pela dificuldade do percurso. A ONG acusa falta de cooperação entre países e atrasos no ativar de sistemas de procura e resgate, aumentando a vulnerabilidade das pessoas.

O relatório também indica 303 tragédias envolvendo pateras e cayucos este ano, incluindo 70 embarcações que desapareceram sem deixar rasto. Entre as vítimas identificadas há pessoas de 30 países, maioritariamente africanas, mas também de Bangladesh, Paquistão e Síria.

Contexto no território espanhol

A Caminando Fronteras sublinha que, na prática, as Canárias abriram uma nova rota migratória mais longa e perigosa este ano, com origem na Guiné Conacri. O estudo baseia-se em dados oficiais, de associações de migrantes e em testemunhos de comunidades e famílias de desaparecidos.

Dados oficiais do Governo de Espanha indicam que 32.212 pessoas chegaram a território espanhol em barcos precários até 15 de dezembro, menos 44,3% face a 2024. A maior parte das chegadas continua a ocorrer nas Canárias, com 17.555 migrantes em pateras até essa data, menos 60% que em 2024.

Considerações da ONG

A organização observa uma redução global do número de mortes em comparação com 2024, mas afirma que isso não resulta em maior proteção do direito à vida. O uso de embarcações com menos pessoas a bordo fragmenta as estatísticas sem reduzir a letalidade, ao mesmo tempo que aumenta as tentativas de chegada e os episódios mortais.

Helena Maleno, coordenadora da Caminando Fronteras, sublinha que as mortes e desaparecimentos ocorrem num contexto de ativação insuficiente de resgate e de externalização do controlo fronteiriço, com pouca coordenação entre Estados.

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